segunda-feira, 25 de outubro de 2010

por Ricardo Noblat

Popular, sim. Grande, não!

Bolinha de papel, rolo de fita crepe, pano de bandeira, chumaço de algodão - nada pode ser usado de forma hostil para atingir alguém sob pena de tal ato configurar uma agressão.
O que militantes do PT foram fazer no calçadão de Campo Grande, no Rio de Janeiro, quando o candidato José Serra (PSDB) esteve por lá na tarde da última quarta-feira em busca de votos?
Não foram saudá-lo democraticamente. A tal ponto de civilidade não chegaremos tão cedo.
Aos berros, munidos de bandeiras e dispostos a tudo, tentaram impedir que o candidato e seus correligionários exercessem o direito de ir e de vir, e também o de se manifestar, ambos assegurados pela Constituição.
O PT tem uma longa e suja folha corrida marcada por esse tipo de comportamento violento, autoritário e reprovável, que deita sólidas raízes em suas origens sindicais.
A força bruta foi empregada muitas vezes para garantir a ocupação ou o esvaziamento de fábricas. E também para se contrapor à força bruta aplicada pelo regime militar na época em que o PT era apenas uma generosa idéia.
Para chegar ao poder, o PT sentiu-se obrigado a ficar parecido com os demais partidos – para o bem ou para o mal. Mas parte de sua militância e dos seus líderes não abdicou até hoje de métodos e de práticas que forjaram sua personalidade. É uma pena. E um sinal de atraso.
Uma vez no poder, vale tudo para permanecer ali.
Vale o presidente da República escolher sozinho a candidata do seu partido.
Vale ignorar a Constituição e deflagrar a campanha antes da data prevista.
Vale debochar da Justiça.
Vale socorrer-se sem pudor da máquina pública para fins que contrariam as leis.
Vale intimidar a Polícia Federal para que retarde investigações que possam lhe causar embaraços. E vale orientá-la para que vaze informações manipuladas capazes de provocar danos pesados a adversários.
No ocaso do primeiro turno, pouco antes de Dilma se enrolar na bandeira nacional e posar para a capa de uma revista como presidente eleita, a soberba de Lula extrapolou todos os limites.
Ele foi a Juiz de Fora e advertiu os mineiros: seria melhor para eles elegerem um governador do mesmo grupo político de Dilma.
Foi a Santa Catarina e pregou irado a pura e simples extirpação do DEM.
Foi a São Paulo, investiu contra a imprensa e proclamou com os olhos injetados: "A opinião pública somos nós".
O mais sabujo dos auxiliares de Lula reconhece sob o anonimato que o ataque de fúria do seu chefe contribuiu para forçar a realização do segundo turno.
Não haverá terceiro turno.
Se desta vez as pesquisas estiverem menos erradas, Dilma deverá se eleger no próximo domingo – e até com uma certa folga.
Mas a eleição ainda não acabou, meus senhores. A história está repleta de casos onde um passo em falso, um gesto impensado ou uma surpresa põe tudo a perder.
O que disse Lula a respeito do episódio do Rio protagonizado por Serra e por militantes do PT só confirma uma vez mais o quanto ele é menor - muito menor - do que a cadeira que ocupa há quase oito anos.
Lula foi sarcástico quando deveria ter sido solidário com Serra, de resto seu amigo de longa data.
Foi tolerante e cúmplice da desordem quando deveria tê-la condenado com veemência.
Foi cabo eleitoral de Dilma quando deveria ter sido presidente da República no exercício pleno da função.
Sua popularidade poderá seguir batendo novos recordes -e daí? Não é disso que se trata.
Popularidade é uma coisa passageira. Grandeza, não. É algo perene. Que sobrevive à morte de quem a ostentou.
Tiririca é popular. Nem por isso deve passar à História como um político de grandeza.
No seu tempo, Fernando Collor e José Sarney, aliados de Lula, desfrutaram de curtos períodos de intensa popularidade. Tancredo Neves foi grande, popular, não.
Grandeza tem a ver com caráter, nobreza de ânimo, sentimento, generosidade. Tudo o que falta a Lula desde que decidiu eleger Dilma a qualquer preço.

sábado, 9 de outubro de 2010

Achei esta na Internet e gostei. Atualizei o texto e aqui está!

Apesar de todas as tentativas intelectualóides de associar "comunismo" a valores como liberdade, vanguarda, etc., eu finalmente descobri o que é ser comunista! Vamos lá:
1)Ser comunista é passar o fim-de-semana em casa, num subúrbio qualquer, lendo editoriais velhos de jornais, fumando muito e bebendo cachaça.
2)Ser comunista é impedir que seus filhos usem ou comprem qualquer produto de marca "imperialista" e assim achar que está contribuindo para a derrocada do capitalismo. Pela mesma razão, não tomar Coca-Cola.Chamar os norte-americanos de estadunidenses. Usar a Internet inventada pelos estadunidenses mas chamar os sites de sítios.
3) Ser comunista é militar em algum partido de esquerda, arrumar um emprego numa prefeitura, não fazer porra nenhuma e assim ganhar a vida. Ser comunista é acreditar que o Estado deve pagar as suas contas particulares. É viver de favores de algum político comunista que ajudou a eleger.
4) Ser comunista é acreditar em bobagens que, na prática, num se provaram viáveis ou reais, como a ditadura do proletariado.
5) Ser comunista é manter uma barba meio suja e mal aparada. É usar roupas dos anos 50. É pentear o cabelo todo para trás, com brilhantina. É éncher o seu tempo com assembléias, passeatas, manifestações, congressos -e assim continuar não fazendo porra nenhuma na vida para ganhar alguma grana.
6) Ser comunista é ter em casa, como relíquia, uma gravação em 78 RPM da "Internacional" e escutar o disco chiado nas tardes de domingo.
7) Ser comunista é ter uma mulher feia, igualmente comunista.
8) Ser comunista é uma coisa atrasada, engraçada e em vias de extinção.
9) Ser comunista é um negócio totalmente fora de moda.
10) Ser comunista é acreditar que só seria feliz se o mundo inteiro fosse também comunista. E é também uma tremenda desculpa para a preguiça, a rigidez mental e a a caretice.
11) Ser comiunista é ser infeliz e revoltado para toda a vida.

LISTA DOS TIPOS DA ESQUERDA BRASILEIRA

LISTA DOS TIPOS DA ESQUERDA BRASILEIRA


Abaixo uma lista dos tipos que compõem a esquerda brasileira. A lista não pretende ser exaustiva, razão pela qual certamente será constantemente atualizada. É sempre importante lembrar que alguns indivíduos podem pertencer a mais de um dos tipos citados.


- O filhinho-da-mamãe revoltado. Ele teve tudo o que queria na infância: a mamãe fazia a papinha, dava na boquinha, depois ajudava-o a escovar os dentes, punha-o na cama e lia histórias para ele dormir. Ele acha um absurdo que o Governo não dê o mesmo tipo de tratamento a seus súditos, e é por isso que a fome e a miséria o revoltam tanto. Ele fica tão revoltado, que quer tomar o poder e garantir papinha para todo mundo - desde que possa continuar andando de carro importado e não precise se rebaixar ao ponto de dar uma esmola sequer para o mendigo que vem incomodá-lo nos sinais de trânsito. Encarnação máxima: Lindberg Farias.

- O lacaio do imperialismo. Ele faz tudo o que as grandes organizações globalistas mandam que ele faça. Se elas mandam que ele seja contra as armas, ele logo "descobre" um plano nacional para combatê-las; se elas mandam que ele combata o racismo através das políticas racistas de cotas, é com ele mesmo. Ele também é encarregado de repetir os slogans e mantras que elas lhe passam, de forma que ele fala obsessivamente em "paz", "fim da violência" e "cidadania". E, como tem tantos poderes às suas costas, ele sabe que ninguém vai ousar contrariá-lo. Encarnação máxima: Rubem César Fernandes.

- O revolucionário senil. Ele já era comunista antes de Lênin - e já naquela época tinha cabelos brancos. Os anos foram passando para todo mundo, menos para ele, que não só continua tão velho e decrépito quanto já estava em 1917, como foi incapaz de ter uma idéia nova desde então. Naquela época, porém, ele ainda conseguia fazer alguns jogos lingüísticos habilidosos, e recrutar alguns otários para a causa. Hoje, com sua senilidade crescente, só escreve croniquetas desconexas e infantis, e seus amigos, meio constrangidos, pintam dele uma imagem de doçura e idealismo, quase de santidade. No fundo, porém, até seus amigos sabem que seu idealismo nada mais é que a fidelidade à mesma burrice durante quase um século, sem considerações para as conseqüências reais de suas idéias. Encarnação máxima: briga duríssima entre Ricardo Kotscho, 
Paulo Vanucchi, Plínio de Arruda Sampaio, Franklin Martins, Marilena Chauí, Emir Sader, Dalmo Dallari,  Oscar Niemeyer,  com vantagem para este último.

- O católico ateu. Ele não acredita numa única palavra da doutrina da Igreja a que diz pertencer, mas não vê nisso nenhum motivo para abandonar essa Igreja. Não, ele acha que é a Igreja que deve mudar para ficar mais a seu gosto. Tirem esse antiquado Jesus Cristo daí, e ponham Che Guevara no lugar. Esqueçam esse gordo aquinatense, bom mesmo é Karl Marx, um "instrumento do Espírito Santo". E, onde está dito no Evangelho que o cristão deve buscar primeiro o reino de Deus, leia-se que o cristão deve buscar primeiro criar o reino de Deus na Terra, por quaisquer meios disponíveis. Afinal, a Bíblia também é um instrumento de dominação social, e só o que ele gosta nela é válido - o resto é invenção capitalista. Encarnação máxima: Frei Betto, Leonardo Boff.

- O fresco politicamente correto. Sua consciência está constantemente a atormentá-lo. Ele se sente culpado pelos males do mundo, e só vê grupos oprimidos em todos os lugares para os quais olha. Ele não acredita mais em revolução, mas acha que todos temos obrigação de respeitar os "oprimidos", e não podemos ferir as suscetibilidades dos grupos de minorias. Nada, portanto, de piadas de negros, de judeus, ou de mulheres. É preciso, sempre, acompanhar o ritmo dos tempos e pensar exatamente igual aos liberais da moda na New Yorker ou no New York Times. Encarnação máxima: Caio Blinder

- O líder negro alfabetizado. Ele teve uma infância pobre. Com muito custo, conseguiu uma vaga numa escola pública e, de lá, uma vaga numa universidade. Nunca aprendeu a ler nem a escrever direito, mas arrumou um título de "doutor", e, quando alguém lhe disse que ser culto significa ter um diploma, ele acreditou. Depois lhe disseram que seu dever de intelectual negro era lutar para que todos os outros negros tivessem a mesma trajetória que ele e, para isso, ele deveria negar a existência da nação brasileira, proclamando que a unidade da raça é mais importante que a unidade nacional, e combater o racismo pregando políticas de preferências raciais. E ele ainda se acha muito independente, sem perceber que seus fundos vêm de multinacionais e ONGs a serviço do globalismo. Encarnação típica: Edson Santos

- A aluna de comunicação da PUC. Ela anda de carro importado, veste as roupas mais caras, viaja para o exterior sempre que quer, mas está sempre revoltada com seus pais, que a exploram e oprimem. Por isso, fica nas casinhas da PUC fumando maconha, freqüenta raves e lê os índices dos livros de Marcuse. Nunca conseguiu ler nada além disso, mas tem idéias sobre tudo e todos, e acha que quem discorda dela é um reacionário ultrapassado. Algumas mais espertas descobriram que poderiam ganhar a vida pensando e escrevendo sobre sexo em grandes jornais, e finalmente encontraram uma utilidade para seu diploma; as outras enchem as redações de jornal com seus textos infantis, seus chinelos sujos, suas preocupações mesquinhas e sua incultura pomposa. Encarnação máxima: Regina Navarro Lins.

- O político de esquerda oportunista. Em nome das políticas ditas de esquerda, dos movimentos sociais, da ascensão dos pobres, ele se elege e depois que está no poder ou ligado ao poder, faz as mesmas maracutaias que aqueles que ele antes combatia, faziam. Coloca seus amigos, companheiros de partido e parentes em cargos comissionados e cargos relevantes em estatais, ajuda as empresas e cupinchas que o apoiaram na campanha a ganharem negócios milionários no governo, cobra comissão para isso depositada em paraísos fiscais, fica rico em muito pouco tempo, deixa de tomar cachaça e passa a tomar uísque 25 anos, deixa de comer mortadela e passa a comer caviar, no palanque diz que ajuda os pobres mas nos bastidores chama eles de imbecis. Diz que as críticas a seus malfeitos é factóide mas ao mesmo tempo, se declara injustiçado pelos seus opositores, que estão movendo uma campanha de calúnias contra ele. Ele pode caluniar à vontade mas se criticado, chama seus críticos de caluniadores.É um cara de pau tão quanto muitos que ele critica. Encarnação máxima: Lula.

- O cientista revoltado. Ele acredita piamente que, de suas pesquisas, poderiam sair tecnologias que mudariam o mundo. Isso só não acontece porque o maldito governo neoliberal não lhe dá o dinheiro suficiente, interessado que está em manter o Brasil preso às garras das superpotências mundiais. Ah, mas num governo comunista, tudo seria diferente, pensa ele. Aí, sim, minhas idéias seriam respeitadas, eu seria membro de alguma comissão, trabalharia para o Estado com amplas garantias financeiras, e ainda por cima poderia mandar em um monte de gente. Enquanto o sonho não se realiza, ele vai extorquindo o máximo de dinheiro público que conseguir, e defendendo apaixonadamente as universidades públicas e "gratuitas". Encarnação máxima: Luiz Pinguelli Rosa.

- A feminista louca. "Dêem, meninas, dêem para quantos aparecerem, quantas vezes quiserem! Mostrem aos homens seu poder feminino! Ah, engravidaram? Três palavras para vocês: Aborto, aborto, aborto. Não deixem que as velhas estruturas machistas da sociedade ocidental, como a Igreja Católica, impeçam que vocês usufruam de seus corpos como desejarem. E se algum homem vier reclamar, mande-o calar a boca instantaneamente. Homem não tem direito a voz, porque é criatura inferior e porque só está interessado em nos oprimir. Mas, ainda assim, eu sou católica apostólica romana, e quero o apoio dos padres na minha campanha." E ela vai repetindo seu discurso maluco, rancoroso e icoerente, levando atrás de si uma massa de "alunas de comunicação da PUC", de "padres ateus" e de "frescos politicamente corretos". Encarnação máxima: páreo duríssimo entre Narcisa Tamborindeguy e Marta Suplicy, com vantagem para a segunda.

Pastor Silas Malafaia: A Verdade Sobre o 2º Turno das Eleições 2010

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Lula, segundo Camões

OS LULLASÍADAS
(ODE 51)
Os votos e os ladrões assinalados
Que do nordeste agreste lullistano
Por artifícios nunca d’antes perpetrados
Passaram inda além das maracutaias,
Sem perigos e guerras esforçados
De quem vive na política gandaia
E da gente humilde afanaram
A grana com que tanto enricaram;
E também as memórias ingloriosas
Daqueles sem terra que foram se apossando
Com engodo e fraude das terras produtivas
Que do norte ao sul andaram invadindo,
E aqueles que por obras viciosas
Se vão da lei sempre se lixando,
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.
Cassem do vernáculo e da gramática
Os erros nos discursos que fizeram;
Cale-se de Machado e de Queirós
Os textos sublimes que escreveram;
Que eu canto o peito ilustre Lullistano,
A quem as Martas e Matildes obedeceram.
Cesse tudo o que o PT antigo canta,
Que outro PT apequenado se abrilhanta.
Deste ócio parlamentar sem mais temores,
Alcança os que são de fama amigos
Trezentos picaretas e graus maiores;
Encostando-se sempre nos antigos
Companheiros de cachaça e assessores;
Foram anos dourados, entre os finos
Lençóis de fio egípcio, puros linhos;
Se esta gente que busca Ministério.
Cuja valia e obras tanto acusaste,
Não queres que padeçam vitupério,
Como há já tanto tempo que ordenaste,
E ouças mais, pois não és juiz direito,
Dar razões a quem sucede que é suspeito.
Passando ao largo o vento acalma
Mas não duraria muito a calmaria
Eis que um falso amigo denuncia
Que um senhor falto de cabelos
Traz malas cheias de alegria
Mês a mês, com acertada pontaria,
Pontualidade de antemão agradecida
Pelos súditos que dançavam a quadrilha.
Entre gentes tão fiéis e tão medrosas,
Mostra quanto pode; e com razão,
É tão fácil entre ovelhas ser leão.
Sabe bem o que o Dirceu arquitetou,
E de tudo o que viu com olho atento,
Negou e negando assim ficou,
Até mesmo quando outro companheiro
Num hotel foi pego com dinheiro.
São uns aloprados, explicou.
Mas, com risonho e ledo fingimento,
Tratá-los duramente determina,
Pois assim engana o povo, imagina.
Mas não lhe sucedeu como cuidava.
Eis que aparecem logo em companhia
Uns comparsas que freqüentavam aquela
mansão, que de bordel em nada parecia.
Corrupto já lhe chamam os inimigos,
Danoso e mau ao fraco corpo humano
E, além disso, nenhum contentamento,
Que sequer da esperança fosse engano.
Mas enxerga-se, num e noutro bando,
Partido desigual e dissonante
São muitos contra muitos; quando a gente
Começa a alvoroçar-se totalmente
Viram todos o rosto aonde havia
a causa principal do reboliço:
entra em cena um caseiro, que trazia
o testemunho sincero do serviço
que as damas ali prestavam
para tão seleta companhia,
e onde fortunas repartiam..
Não perguntava, mas sabia
As alegres badaladas que ali via.
É um suceder de ventos malcheirosos.
Denuncia a imprensa dos maldosos
que o divino comandava um corpore ativo
não explicando à roda solta a gastança
com uns cartões em prol da segurança
da coroa e do cetro lul-lalante.
São rubis, esmeraldas, diamantes,
em luzentes assentos bem cuidados,
estofados à conta do erário.
Outros serviçais todos assentados
na Ordem e no Progresso concertavam
desculpas para os tucanos que acusavam
fazendo coro com os democratas que gritavam.
(Precedem os antigos, mais honrados,
Mais abaixo os menores se assentavam);
Quando o divino alto, assim dizendo,
com tom de voz começa grave e horrendo:
- «Eternos moradores do luzente,
Estelífero Pólo e claro Assento:
sou o grande valor pros crédulos e inocentes,
de mim não perdeis o pensamento,
deveis de ter sabido claramente
como é dos fatos grandes certo intento
que por ela se esqueçam os humanos
Genoínos, Delúbios, Gregos e Romanos”
Mas em particular o esperto mui sabia,
que mentir o faz mais elegante,
Vereis como sorria e escarnecia,
Quando das artes bélicas, diante
Dele, com larga voz tratava e mentia.
Para a disciplina militar ali prestante:
“-não se aprende, senhores, na fantasia,
sonhando, imaginando ou estudando,
senão vendo, cupinchando e armando”..
Mas eis que fala falso, mas alto e rude,
da boca dos pequenos sabia, contudo,
que o louvor sai às vezes acabado.
“Tem-me falta na vida honesto estudo,
com longa malandragem misturado,
E engenho, que aqui vereis presente,
cousas que juntas se acham raramente”.
“Para servir-vos, braço às armas feito,
Para cantar-vos, minto às Musas dada;
Só me falece ser a vós aceito,
De quem virtude deve ser prezada”.
Se isto o Céu concede, e o vosso peito
Oh dígna empresa, dígno empreiteiro,
com a ladroagem mente e vaticina
olhando a sua substituta assaz divina,
a má, a ladra, a serpentuosa Medusa,
agora a seu lado, na falsidade inclusa:
“faça vista grossa para temas nauseantes”.
Falaram-lhe até que uma tal de Hipotenuza
e sua amiga uma tal de Geometria
acusam-no de comportamento ultrajante!
“Não as conheço, nunca ouvi falar,
como saber e conhecer não é meu forte,
dos amigos acuados não me afasto, me aproximo,
somos vinhos da mesma pipa, e subestimo,
aqueles que intentam me acusar.
O tempo passa, tudo há de se abafar!”
“Com a minha estimada e leda Musa
que me inspira o engodo e a farra plena,
apanágio do malandro e do farsante,
passeio pelo mundo em nau a jato,
de sorte que a justiça não me alcance,
como posso saber, se sou errante,
metamorfose ambulante?
Crédito: Lúcio Wandeck

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Remake da piadinha política (Muda o personagem mas continua atual)

Dilma foi a uma escola conversar com as criancinhas, acompanhada de uma comitiva. Depois de apresentar todas as maravilhosas propostas para seu governo (se eleita), disse às criancinhas que ela iria responder perguntas.
Uma das crianças levantou a mão e Dilma perguntou:
- Qual é o seu nome, meu filho?
- Joãozinho.
- E qual é a sua pergunta?
- Eu tenho seis perguntas.
-A primeira é "Onde está o 1 milhão de moradias prometidas pela senhora?
-A segunda é "Quem matou o Prefeito Celso Daniel e o Prefeito Toninho do PT?"
-E a terceira é "A senhora sabia dos escândalos do mensalão e da Casa Civil ou não?"

-A quarta é "A senhora é Doutora em Economia ou não?"
-A quinta é "Se a senhora for eleita é o José Dirceu ou o Lula que vai governar o Brasil?"
-A sexta é "Por que o PAC empacou?"

Dilma fica desnorteada, mas neste momento a campainha para o recreio toca e ela aproveita e diz que continuará a responder depois do recreio.
Após o recreio, Dilma diz:
-OK, onde estávamos? Acho que eu ia responder perguntas, né? Quem tem mais perguntas?
Uma garotinha levanta a mão e Dilma aponta para ele.
-Pode perguntar, minha filha.
- Como é seu nome?
-Mariazinha, e tenho oito perguntas: 
-A primeira é "Onde está o 1 milhão de moradias prometidas pela senhora?
-A segunda é "Quem matou o Prefeito Celso Daniel e o Prefeito Toninho do PT?"
-A terceira é "A senhora sabia dos escândalos do mensalão e da Casa Civil ou não?"

-A quarta é "A senhora é Doutora em Economia ou não?"
-A quinta é "Se a senhora for eleita é o José Dirceu ou o Lula que vai governar o Brasil?"
-A sexta é "Por que o PAC empacou?"
-A sétima é "Porque o sino do recreio tocou meia hora mais cedo?".
-E a oitava é:  "Cadê o Joãozinho?"

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Contra a tentativa de golpe autoritário! leiam e repassem

MANIFESTO EM DEFESA DA DEMOCRACIA
Em uma democracia, nenhum dos Poderes é soberano.
Soberana é a Constituição, pois é ela quem dá corpo e alma à soberania do povo.
Acima dos políticos estão as instituições, pilares do regime democrático. Hoje, no Brasil, os inconformados com a democracia representativa se organizam no governo para solapar o regime democrático.
É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais.
É inaceitável que a militância partidária tenha convertido os órgãos da administração direta, empresas estatais e fundos de pensão em centros de produção de dossiês contra adversários políticos.
É lamentável que o Presidente esconda no governo que vemos o governo que não vemos, no qual as relações de compadrio e da fisiologia, quando não escandalosamente familiares, arbitram os altos interesses do país, negando-se a qualquer controle.
É inconcebível que uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais nem mesmo em fingir honestidade.
É constrangedor que o Presidente da República não entenda que o seu cargo deve ser exercido em sua plenitude nas vinte e quatro horas do dia. Não há “depois do expediente” para um Chefe de Estado. É constrangedor também que ele não tenha a compostura de separar o homem de Estado do homem de partido, pondo-se a aviltar os seus adversários políticos com linguagem inaceitável, incompatível com o decoro do cargo, numa manifestação escancarada de abuso de poder político e de uso da máquina oficial em favor de uma candidatura. Ele não vê no “outro” um adversário que deve ser vencido segundo regras da Democracia , mas um inimigo que tem de ser eliminado.
É aviltante que o governo estimule e financie a ação de grupos que pedem abertamente restrições à liberdade de imprensa, propondo mecanismos autoritários de submissão de jornalistas e empresas de comunicação às determinações de um partido político e de seus interesses.
É repugnante que essa mesma máquina oficial de publicidade tenha sido mobilizada para reescrever a História, procurando desmerecer o trabalho de brasileiros e brasileiras que construíram as bases da estabilidade econômica e política, com o fim da inflação, a democratização do crédito, a expansão da telefonia e outras transformações que tantos benefícios trouxeram ao nosso povo.
É um insulto à República que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo, explicitando o intento de encabrestar o Senado. É um escárnio que o mesmo Presidente lamente publicamente o fato de ter de se submeter às decisões do Poder Judiciário.
Cumpre-nos, pois, combater essa visão regressiva do processo político, que supõe que o poder conquistado nas urnas ou a popularidade de um líder lhe conferem licença para rasgar a Constituição e as leis. Propomos uma firme mobilização em favor de sua preservação, repudiando a ação daqueles que hoje usam de subterfúgios para solapá-las. É preciso brecar essa marcha para o autoritarismo.
Brasileiros erguem sua voz em defesa da Constituição, das instituições e da legalidade.
Não precisamos de soberanos com pretensões paternas, mas de democratas convictos.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

À meia-noite violarei o teu sigilo

Por Marli Gonçalves (*)


Parece filme de terror, com a ameaça à espreita. Estamos virando um país de bandidos. Vivemos cercados de ameaças travestidas de oportunidades e o clima pesa, trazendo um desconforto quase insuportável, sufocante tanto quanto o ar seco e poluído. O frio sem hora, o calor que vai e vem. Todos viramos reclamões. Nada está exatamente bem. Algumas coisas estão péssimas. E, sinceramente, anda difícil respirar e relaxar. 
(*) Marli Gonçalves é jornalista. Sabe que todo mundo, no fundo, tem um sigilo que teme ser quebrado. E que ninguém gosta de ser refém.  Tenha boa leitura - Pedro John
Sai mês, entra mês e a gente só vê as coisas piorarem para o nosso lado. As contas fazendo pressão, vazando para dentro na soleira pelo vão da porta, pagando serviços ruins, incompletos, muito caros. Culpa do sistema. Caiu o sistema. O sistema está lento. Um momento, por favor! Sua ligação está sendo gravada a partir deste momento. Anote o protocolo, nº 361.354.861.751.744.2551.211-2010N.

Só por aí já descobrimos que somos milhões reclamando!Trilhões de vezes. Como compensação moral, essas companhias todos os anos lideram as listas de piores serviços, e ganham como "maior número de denúncias". O que eles devem gostar. Só podem. E sabe por causa do quê? Como é que você vai se livrar deles? Só mudando de país, ou virando eremita. Temos que enfrentá-los no meio das barbaridades e modernidades. Telefônicas, operadoras de tevê a cabo, seguros-saúde, seguros-computador-celular-casa, seguros obrigatórios, companhias de luz, gás, água e esgotos, cartões de crédito. Vai! Encara! Vai ficar sem luz, sem gás, sem comunicação, na fila do SUS. Vai se fornicar todo.

Por exemplo: fica sem pagar um mês. Algumas destas, em 15 dias já terão cortado as suas libertárias asinhas de consumidor. Outras cobrarão juros tão extorsivos que você logo sentirá o que é ser escravo. Sem documentos, sem lenços, nome no SPC, BNH, INAMPS, BC, BB, JC, TJ, TS, ST, SJ, no BIBIBI e no BOBOBÓ.

Vamos ao ponto: e as informações a seu respeito - de todo esse mundo paralelo - estão aí, nesse meio, rolando entre eles, nos cadastrando, vendendo nossos endereços e hábitos e nos taxando. Onde, raro, houver concorrência, sempre tem a hora que eles passeiam de mãos dadas. A piada que no futuro "não poderíamos ligar para pedir uma pizza de calabresa porque o atendente teria nossa proibitiva ficha médica" é só uma piada. Se puderem, venderão a pizza casada com uma promoção imperdível de remédios para o colesterol alto, uma lixeira para o descarte da embalagem que, cortada, valerá um bônus para uma sobremesa. Topam tudo por dinheiro.

Por outro lado, no Governo, no Estado, no que deveria ser a nossa garantia, estamos fichados, oficialmente. Tento fazer você entender melhor como as coisas estão funcionando. Mal. Quando um Governo é descoberto USANDO o sigilo fiscal, do Imposto de Renda, do Leão, da Receita Federal, o escambau contra QUEM QUER QUE SEJA, é grave. Muito grave. Gravíííííssimo! Quando a gente fica sabendo que - pior! - alguns desses mesmos dados estão sendo vendidos nas esquinas do comércio popular, em CDs a "10 real" já nem acredita. Mas, se o cara tiver más intenções, corre lá para comprar, para locupletar-se também.

Estamos virando um país de bandidos? Onde bandido vota em bandido porque, afinal, também quero uma boquinha? Onde se fecha os olhos para a censura? Onde se desrespeita os direitos mais fundamentais e tudo bem porque (ainda) não é com você?

Muito mais do que dizer "somos todos Francenildos". Ou "somos todos essa tal de Verônica Serra". Estamos sendo é todos otários, idiotas, monitorados, dependentes, enrolados, controlados e usurpados.

Falei claramente? Com certeza, melhor do que os caras andam fazendo na televisão, imbuídos de seus ares sérios, sorrisos falsos e com seus terninhos bem cortados. Que falam termos que eu bem queria saber como são exatamente entendidos na linha final, onde autoritário é positivo; ser chefe. E o popular se confunde entre a palhaçada e a vitória do pobre. Onde poucos sabem o sentido e a forma das leviandades, muito menos das palavras.

É poste, sabonete, lideranças - tudo sendo vendido em embalagens que nós mesmos fornecemos as dicas - escuta só. Se tanto falam em pai e mãe, é porque devemos estar mesmo órfãos e eles querem nos adotar, nos dando doces, prometendo educação, saúde, a transposição do rio São Francisco, o trem-bala de chupar otário, crack só na Bolsa, coisas PACas. São as novas dentaduras, óculos, muletas. Compram (ou vendem) seus votos com base nas ilusões da maioria. Um jogo de espelhos, tendencioso.

Nada disso é novidade no mundo do papagaio de botinas, encarnado em maioral, e sua turma, cada vez avançando mais em áreas sensíveis, inclusive nos subterrâneos, dos mares. E da liberdade. Tudo muito flex, muito Filme B, chanchada. O empresário rico distribui bondades, faz implante de cabelo e fala em filosofia; já não tem mais a carcamana figura de Abílios, Samuéis, Hermínios.

Cuidado: filmes de terror costumam ter corvos disfarçados em outros pássaros, manos infiltrados. Bruxas que viram lindas princesas. Sapos barbudos que viram ditadores encastelados. Beijos e abraços de morte. Perigo a cada porta ou gaveta que se abre, e eles arrombam! Filmes de terror mostram experiências, inclusive com o sangue dos vampiros, que um dia explodem, levando o laboratório aos ares. Filmes de terror também trazem fantasmas que se levantam de seus túmulos, ectoplasmas, ou seres imortais, ressuscitados da lama e do pântano.

Está certo. OK. A sorte é que nem todas as mocinhas estão distraídas tomando banho no chuveiro e que há ainda cavaleiros e mineiros empreendendo batalhas, como Quixotes.

E, dizem, não há mal que sempre dure.

São Paulo, Central do Brasil, 2010, ou 5771

terça-feira, 24 de agosto de 2010

domingo, 9 de maio de 2010

São Paulo segundo o PT

As pesquisas mostram em São Paulo Alckmin com 53% das intenções de votos e Mercadante com 13%. Mostram Serra com 54% e Dilma com 15%.  Com os resultados pífios dos petistas no estado do Brasil com o maior número de eleitores e que pode fazer a grande diferença nas eleições deste ano para presidente, os petistas que fundaram seu partido neste estado estão vendo que seu fim será lá também.

É...com isso o governo do PT perdeu  mesmo o rumo. Literalmente. Dilma já havia separado o Nordeste do Brasil. Agora, vejam o mapa do Estado de São Paulo segundo o governo do PT, publicado pela SECOM nos maiores veículos de comunicação do estado.


Este é o mapa do petista doido. Um eleitor desavisado seguindo este mapa, poderá tentar ir até Campinas e chegará em Santa Rosa de Viterbo. Se for se dirigir a Campos do Jordão para passar um final de semana, terá um weekend feliz em Araras. Registro foi parar em Capão Bonito, Guarulhos em Campinas, Ituverava mudou de nome, agora se chama Barretos.O Rio de Piracicaba agora vai jogar água pra fora em Osvaldo Cruz, pois a cidade mudou de lugar.

 Paulistas! Votem no PT em 2010! Eles prometem mudar vocês todos para o Paraguai!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

A democracia petista e a dificuldade em lidar com a verdade

O PT informa que vai entrar com uma ação contra o PSDB, para tirar do ar o Blog Gente que Mente, mantido pelo partido para desmanchar boatos espalhados pelo partido da bandidagem contra os tucanos. São tão covardes que se baseiam em denúncia de um deputado "cloaca de aluguel" do PDT. O tiro vai sair pela culatra, pois o assunto vai virar tema nacional.Copiem e enviem o lembrete abaixo para o maior número possível de pessoas, denunciando esta arbitrariedade do PT. Vamos criar uma corrente do bem contra a censura, a truculência e o terrorismo eleitoral. Um corrente da verdade contra a mentira.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Hoje é o dia da mentira

E nada melhor para comemorar este dia, que a aprendiz de mentirosa que promete ser ainda mais mentirosa que seu professor, o sapo barbudo.

Dilma Day

quarta-feira, 10 de março de 2010

As ótimas charges do Roque Sponholz

Sponholz é um arquiteto de Blumenau e além de bom arquiteto, é um ótimo chargista e observador sagaz do momento político que traduz imediatamente para a imagem. Acompanho suas charges já há mais de 5 anos na Internet. Hoje elas estão difundidas por todo o Brasil. Vejam abaixo parte pequena de sua obra e se quiserem, vão ao website dele(aqui neste link) para verem mais. O download é livre.

Os papeis do Ministério da Defesa

Fala-se volta e meia do Ministro Jobim e pouco do Ministério da Defesa.  De onde surgiu este ministério?
Tem algo mais que a cabeça de Fernando Henrique nesta história.  Desde a deposição do Imperador Pedro II as forças armadas assumiram o principal papel do imperador: o Poder Moderador. 
De forma legal e previsível o Imperador atuava sobre o Legislativo e Judiciário, numa regra de jogo que as diversas correntes políticas aceitavam, na maioria das vezes numa boa: mexia-se nos outros poderes e mudava-se os peões quando se achasse necessário.
Ao exercerem o mesmo papel, as forças militares geraram ódios em vastos segmentos da sociedade ao mesmo tempo que outros segmentos as incentivavam para ir em frente e atropelar o presidente no poder, como Carlos Lacerda fez mais de uma vez.  A população polarizava ao extremo em torno dessas lideranças.
Para compensar o Presidente Goulart tentou diminuir o poder militar, subvertendo a ordem até que a paciência fardada se esgotasse.  Contrariamente ao que alguns jornalistas declararam em suas memórias, expressiva parte da população apoiou a revolução de 31 março que os desafetos rotularam como o golpe do 1º de abril.
E assim o Brasil viveu por 21 anos, os militares criando hostilidades em muitas frentes, perdendo o apoio da maior parcela da população que respaldara o movimento militar em seu início.  O Poder Moderador militar bem que tentou mas nunca conseguiu ter o charme e a empatia de D. Pedro II.
Em 1985 entram em cena os presidentes civis tentando enfiar os três ministérios militares num fundo de gaveta.  Até que FHC resolve o problema espacial, transformando os três ministérios num único, o da Defesa, inspirado no modelo norte-americano.
O Ministério da Defesa norte-americano surgiu no início de uma rebelião militar no ano de 1.783, com as tropas acampadas em Newburg, N.Y., com a vitória na guerra da independência à vista, mas ainda incerta;  o General Horatio Gates estimulou oficiais subordinados a levantar a tropa contra o Congresso ou marchar para a Filadelfia e capturar o governo.  George Washington em reação convocou uma reunião da tropa para uma quinzena, designou o General Gates para presidi-la, deixando a impressão que um amigo dos insurretos iria dirigir os trabalhos e que ele nem apareceria no evento; enquanto isso planejou a estratégia e convocou seus aliados para a reação.
Num pronunciamento inesperado e emocional, Washington virou o jogo e obteve o apoio de 500 oficiais no evento, criando o conceito que os militares aconselham e a liderança civil decide.  Seis anos mais tarde, este conceito foi transposto para a Constituição.
Assim hoje em dia, o Presidente Obama é quem decidiu aumentar o envolvimento americano no Afeganistão e o Congresso é quem decide liberar as verbas para dar andamento à decisão.  É o presidente e o Congresso, não os militares, que decidem se as leis devem ser mudadas para permitir aos gays e lésbicas a servirem nas forças armadas.
Já no Brasil, sem uma guerra de independência, um Congresso e um George Washington, a decisão cerebral de FHC teve um período de maturação de cinco ministros no cargo da Defesa, até que Nelson Jobim surgir no cenário, vindo do mais alto posto da justiça.  Conforme iremos ver adiante, a maturação continua.
De cara Jobim enfrenta o caos, a má fé e a incompetência na aviação civil, tanto nas obras aeroportuárias quanto nos maiores acidentes aéreos de nossa história. O Ministério da Defesa fora criado mas a aeronáutica civil estava a matroca, com graves insubordinações na equipe que deveria zelar pela segurança do tráfego aéreo e falta de competência na gestão de sua estrutura.  Medidas enérgicas foram tomadas, no meio de protestos da imprensa e das empresas de transporte aéreo;   o tempo veio provar que os principais focos do caos tinham sido debelados, tanto no governo quanto nas empresas privadas.

Com os militares fora do poder, as Forças Armadas brasileiras foram tratadas, ou melhor, destratadas por uma série de governos, como algo imprestável, desnecessário, descartável, com sentimentos de vingança talvez enrustidos por 21 anos de arbitrariedades militares.  Na verdade, o observador mais atento e tecnicamente preparado, observa há anos que o conceito de defesa nacional não permeou no poder civil, até junto a seus profissionais mais sofisticados, como FHC, que fez declarações no mínimo desastradas.  Criou-se o conceito de poder civil decidir assuntos estratégicos, mas nossos civis ainda amadurecem, ainda não chegaram lá.

O programa nuclear da Marinha, incluindo a construção do submarino nuclear e a obtenção do combustível nuclear, de importância estratégica fundamental, foi abandonado às moscas, sendo tocado por anos com migalhas por dedicados e abnegados oficiais da Marinha.  Os políticos de Brasília ainda não compreenderam o que seja "importância estratégica fundamental".  Sentimentos de vingança enrustidos ?

Na Força Aérea, a visão de alguns oficiais como Casimiro Montenegro, no ano de 1943 com a II Guerra virando a favor dos aliados, conceberam bem antes de seus colegas da Marinha, a necessidade do domínio estratégico para desenvolver uma força eficaz.  Assim construíram a partir do ITA a Embraer a qual deu bons aviões de treinamento subsônicos, turbo-hélices eletronicamente avançados.  Ao mesmo tempo se cortou em Brasilia a verba do combustível e o resto da frota envelheceu nos hangares, os oficiais voadores cada vez voando menos.  Assim constituiu-se numa crescente fonte de acidentes e mortes.  Eram os caixões voadores da FAB e o Boeing quadrireator que servia a Presidência rotulou-se como "Sucatinha".  Você que está leu este texto até aqui, voaria num "sucatinha" ?

No Exército o sucateamento implicava no enguiço no meio da estrada dos veículos militares que ainda conseguiam sair para a rua.  Se nem os aviões que caiam e matavam eram notícia na imprensa, os tanques e caminhões blindados enguiçados e rebocados na estrada muito menos.

Este conjunto inoperante de terra, mar e ar foi o Ministério da Defesa que o abnegado Ministro Nelson Jobim herdou.  E desde então no âmbito interno das Forças Armadas, pela primeira vez, as três armas se juntam e falam em alto nível das necessidades estratégicas do Brasil de forma coerente e planos vão sendo desenvolvidos.  Espera-se que em algum momento o Poder Civil amadureça para o exercício de seu cargo.
Outro tópico atual é a escolha do caça supersônico denominado FX-2.  Até agora o assunto vem sendo tratado de forma sigilosa e talvez desastrada, pois o conceito operacional do novo ministério ainda não alcançou todas partes envolvidas.  Relembrando o conceito norte-americano, o pai da criança com quem estamos tentando nos envolver: “os militares aconselham e a liderança civil decide”.  Há cinco anos eram cinco os países participantes na concorrência misteriosamente reduzidos a três.
Houve uma confusão no meio do campo e o Presidente optou por um dos países antes dos militares aconselharem, ou então toda esta história foi mal contada, em prejuízo dos militares que estão proibidos de se manifestar.
Um general quatro estrelas, que perdeu a paciência com as declarações recentes e infelizes do ex-ministro da justiça, também perdeu o cargo, numa iniciativa  inédita do Poder Civil, parecida em sua forma na exoneração do Comandante do II Exército, em 1975, pelo Presidente da República.  Só que na época, o presidente era o General Geisel o qual, como General George Washington, primeiro em 1783, acertou os ponteiros com seus comandados, antes de bater o martelo.
Parece que passamos a ter um Ministério da Defesa onde o Ministro vai fardado para a Amazônia, deixando seus ternos de casemira inglesa no cabide.  Isto é um detalhe e decisão dele, que a imprensa de fraldas, saída das Escolas de Comunicação e nada entendendo de defesa, aborda como tema relevante...

Pedro John Meinrath                                                                                             
Engenheiro Aeronáutico

São Paulo, 17 de fevereiro de 2010.

domingo, 7 de março de 2010

2010 será o ano da escolha entre o certo e o errado

A divulgação do Programa Nacional de Direitos Humanos confirmou que a eleição de 2010 será mesmo plebiscitária. O Brasil que pensa entendeu que terá de escolher entre a democracia representativa e o stalinismo farofeiro, entre a liberdade e o autoritarismo , entre o mundo civilizado e as cavernas onde conspiram os pastores do atraso.
A reportagem de capa da edição de VEJA, outra reafirmação do mergulho sem volta do PT no pântano, é a prova definitiva de que o desejo de Lula (”Gostaria que fosse nós contra eles, olho no olho”) será atendido. O governador José Serra é um homem sem prontuário. Basta que vire ostensivamente as costas aos pecadores do PSDB e do DEM ─ uma tribo diminuta se confrontada com a imensidão de companheiros fora-da-lei ─ para que os eleitores entendam que estarão escolhendo entre a honestidade e a roubalheira, entre a honradez e a corrupção.
Serra vencerá se compreender que a oposição brasileira é muito maior, mais tenaz, mais corajosa e mais combativa que a oposição formal. Ele precisa ser mais que o candidato de uma aliança partidária assustadiça, excessivamente cautelosa. Tem de transformar-se no porta-voz do Brasil decente, que não teme porque não deve, que respeita a lei e exige que todos sejam obrigados a respeitá-la, que lutou pela restauração do regime democrático e dele não admite abrir mão.
“A oposição não tem programa, a Dilma tem”, vangloriou-se em Cuba o ministro Franklin Martins, ainda com o olhar de quem viu o homem que quer ser quando crescer. “Qual é programa do Serra?” O candidato do PSDB acha que ainda é cedo para apresentar um plano de governo. Mas já passou da hora de apanhar a luva atirada por Lula, aceitar o repto lançado por Franklin e desfraldar o quanto antes as duas bandeiras que o PT jogou no lixo. O partido que reivindicava o monopólio da ética caiu na vida. O partido que se fingia de libertário ama Fidel Castro e flerta com Hugo Chávez.
Serra, ex-militante da Ação Popular, converteu-se num genuíno democrata. Dilma jamais renegou o script de coadjuvante da Polop e Var-Palmares, organizações comunistas que recorreram à luta armada para substituir a ditadura militar pela ditadura do proletariado. Serra não tem contas a acertar com a Justiça. Dilma foi escolhida por um presidente que acoberta todos os delinquentes de estimação, é candidata pelo partido do mensalão e entregou a coordenação da campanha a José Dirceu.
Só faltava Delúbio Soares. A reportagem de VEJA mostrou que não falta mais nada: João Vaccari, o novo tesoureiro da direção nacional do PT, é um Delúbio piorado. A sucessão presidencial de 2010 não passará ao largo de critérios políticos e morais. Eleger Dilma Rousseff é entregar o poder aos carrascos da liberdade. É entregar a chave do cofre à bandidagem que, por ter perdido de vez o medo do xerife, já nem usa lenço para esconder o rosto.
Augusto Nunes, 07/03/2010

sábado, 6 de março de 2010

A Raiz de Todo o Mal

Recentemente o estado de Mato Grosso nos brindou com mais um exemplo dos tantos que nos deixam "perplexos" nestes tempos tristes que vivemos: 10 magistrados, entre juizes e desembargadores, foram condenados por desviarem dinheiro do tribunal de justiça do estado para uma loja maçônica à qual estavam vinculados.
São tantos os absurdos deste caso que vale a pena pensar um pouco mais sobre a questão.
Em primeiro lugar o óbvio do óbvio: como aceitar o crime por parte dos guardiões da justiça? Não podemos aceitar, de forma alguma, que juízes e desembargadores aleguem desconhecer as leis, já que seu trabalho é interpretá-las. E menos ainda sermos tolerantes com esses criminosos, já que, mais do que qualquer outro meliante, eles sabiam muito bem o que faziam e os riscos envolvidos.
Então, aqui há um primeiro absurdo: considerá-los réus primários como qualquer outro pobre coitado que rouba um pote de margarina ou filão de pão, já que, ainda que não se saiba de outros crimes dessa “quadrilha”, eles não podem ser chamados de “primários” por serem todos magistrados, ou seja, os defensores das leis.
Tratar diferentes como iguais é tão absurdo como tratar iguais diferentemente. A posição privilegiada destes senhores perante as leis deveria fazer com que seu tratamento fosse mais severo do que o de outros infratores, o que, infelizmente, não é o caso.
Isso posto, vamos agora examinar o segundo – e maior – absurdo deste triste incidente.
Comprovada a culpa, todos sofreram a pena máxima a que estão sujeitos: aposentadoria compulsória com direito a plenos vencimentos!
Deus do céu, desde quando isso é punição?
Gostaria que alguém me provasse como ficar em casa, de papo para o ar, recebendo mais de vinte mil reais por mês para não fazer nada é uma punição. Para a maioria de nós isso seria um prêmio, seria ganhar na loteria. Como é que isso é uma punição exemplar e terrível no caso de um magistrado?
A conclusão terrível é que eles estão deixando de ganhar algo muito bom com esse castigo, e então cabe a pergunta: o que estariam ganhando? O que seria isso que lhes foi tirado? Que saibamos os magistrados recebem apenas salários, então qual seria o "por fora" que perderam? Seriam “agrados” para favorecer a este ou aquele lado em uma decisão? Por favor, que isso seja trazido a público!
A situação, como vemos, é absurda.
Mas mais absurdo é o fato de que esse tema tenha desaparecido dos meios de comunicação e que a população não tenha se indignado ou exigido mudanças. Há um silêncio ensurdecedor sobre o caso, como sempre ocorre quando o crime está no judiciário, como se vivêssemos uma conspiração do silêncio.
Tudo, ao que parece, para impedir uma reflexão mais profunda sobre os privilégios inadmissíveis dados aos magistrados, e ao tratamento mais do que especial que eles mesmos se conferem, acima das leis, acima dos demais mortais, de uma forma que não pode mais existir em nossa sociedade.
As leis existem para impedir comportamentos que não são aceitos pela sociedade com um todo. O medo do castigo faz com que elas sejam cumpridas.
Agora, se o castigo é um prêmio, quem irá se importar com ele?
Aí está a origem de todos os nossos problemas, de toda a corrupção e impunidade.
Se um juiz não pode ser realmente punido, por que será honesto?
Lógico que os próprios dirão que seguem padrões morais, ou falarão que são isso ou aquilo, mas a verdade é que são seres humanos, exatamente como todos os demais.
E se nenhuma profissão é composta apenas de pessoas honestas ou desonestas, isso vale também para a magistratura.
Por que, então, aceitar que seus membros não sejam sujeitos a viver pelas mesmas leis que servem para todos os demais membros de nossa sociedade?
Por que deixar que os seus membros sejam tratados como seres especiais, isentos de punições reais e livres para viverem à margem da lei?
E pior, vitalícios em seus cargos!
Coloquemos aí a nomeação política de empregados para as cortes supremas e teremos a receita para o autoritarismo.
Senão, qual é a explicação para um TSE que faz de conta que campanha antecipada não existe? Para cortes que favorecem gente como os Sarneys? E para todo o resto que já conhecemos.
Um Brasil para todos, onde o artigo 5° da constituição seja para valer só existirá quando tivermos uma ampla e profunda reforma do judiciário.
Chega de impunidade, a começar pelos magistrados!

quinta-feira, 4 de março de 2010

A opinião do Casseta sobre a censura

Em entrevista à TV Estadão. Marcelo Madureira do Casseta e Planeta fala que este governo foi o único em 25 anos que mandou "recadinhos" a eles reclamando do tom do programa. VEJA AQUI

terça-feira, 2 de março de 2010

Do blog do Josias de Souza (FSP)

O governo maquiou os balanços oficiais do PAC com o propósito de esconder atrasos na execução das obras

Deve-se a revelação aos repórteres Eduardo Scolese e Ranier Bragon. Em notícia levada às páginas da Folha, a dupla informa:

“Três de cada quatro ações destacadas no primeiro balanço do PAC não foram cumpridas no prazo original”.

Para encobrir o problema, recorreu-se à maquiagem. Vão abaixo os detalhes que evidenciam a manobra:

1. Gestora do PAC, a ministra-candidata Dilma Rousseff reuniu os jornalistas, no início de fevereiro, para divulgar o balanço de três anos do programa.

2. Sob holofotes, a “mãe do PAC” anunciara que 40% das ações previstas no programa já haviam sido cumpridas.

3. Nas principais obras, a taxa de conclusão era, segundo a chefe da Casa Civil, de 36%.

4. Para corroborar as palavras da ministra, o Planalto distribuíra aos repórteres um documento em que a lista de obras é adornada por ilustrações.

5. Ao lado de cada empreendimento, três vocábulos traduziam o estágio em que se encontravam os canteiros de obras.

6. Para a maioria das obras mais relevantes do PAC, utilizou-se um carimbo verde: “Adequado”.

7. Os carimbos em amarelo –“Atenção”—e em vermelho –“Preocupante”— figuram no levantamento oficial como escassas exceções.

8. Os repórteres compararam esse levantamento de fevereiro ao balanço inaugural do PAC, que Dilma fizera em maio de 2007.

9. Confrontaram os dados também com os indicadores apresentados nos oito balanços que se seguiram ao primeiro.

10. Descobriram: muitas das obras que aparecem no balanço mais recente com o carimbo verde passaram por uma revisão de metas.

11. Os prazos de conclusão foram dilatados. Parte das obras, cuja conclusão fora prevista ainda para a era Lula, simplesmente foram jogadas para a próxima gestão.

12. O governo lançou mão do pa©osmético sem mencionar, de um balanço a outro, que ajeitava com ruge e batom a face do programa.

13. Não é só: além de pintar, o governo passou o bisturi em algumas obras, fatiando-as. Com isso, manteve o prazo de entrega de pedaços de empreendimentos que, tomados por inteiro, atrasariam além do desejável.

14. Há mais: numa das obras que teve preservado o prazo de entrega trocou-se o objeto: em vez da conclusão da obra, a meta passou a ser a "entrega do projeto".

15. Há pior: algumas das ações que, por atrasadas, enfeiavam o balanço foram passadas na borracha. Sumiram em levantamentos seguintes.

16. O primeiro balanço do PAC, aquele de maio de 2007, cobria o primeiro quadrimestre do progama –de janeiro a abril daquele ano.

17. O texto classificava como grandes 76 obras. Comparando-se esse levantamento com os posteriores, sobretudo o último, verifica-se:

18. Nada menos que 75% das grandes obras (57) padecem de atraso no cronograma. Onze foram empurradas para dentro da próxima gestão, a ser inaugurado em 2011.

19. Desses 57 empreendimentos atrasados, 38 ainda estão em andamento. Ganharam novos cronogramas.

20. O atraso médio é de um ano e meio em relação ao que fora prometido em 2007.

21. Significa dizer que que essas 38 obras deveriam figurar no último balanço trazido à luz por Dilma com carimbos amarelos ou vermelhos. Porém...

22. Porém, apenas 16% delas figuram na peça acompanhadas das inscrições “Atenção” e “Preocupante”. As demais foram brindadas com sombra verde: “adequado”.

No último dia 20 de fevereiro, ao discursar no Congresso petista que aclamou Dilma como presidenciável oficial, Lula dissera:

"Posso dizer que nunca antes na história do país houve programa de investimento em infraestrutura tão organizado, tão discutido e tão planejado como nós fizemos o PAC".

Considerando-se a checagem de Scolese e Bragon, Lula talvez estivesse falando de outro PAC, até aqui insuspeitado: o Programa de Aceleração do Cosmético.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O discurso que é uma lição aos dinossauros do socialismo

MAGNÍFICA LEITURA ESTE DEPOIMENTO DO PRESIDENTE DA COSTA RICA. MERECE SER LIDO E REPENSADO.

Discurso proferido na presença do Lula e demais presidentes latino-americanos, incluído o “manequim” do Equador, o caloteiro Corrêa, abaixo nominalmente citado.
——————————————————————————–

“ALGO HICIMOS MAL”
Palavras do Presidente Oscar Arias da Costa Rica na Cúpula das Américas em Trinidad e Tobago, 18 de abril de 2009
“Tenho a impressão de que cada vez que os países caribenhos e latino-americanos se reúnem com o presidente dos Estados Unidos da América, é para pedir-lhe coisas ou para reclamar coisas. Quase sempre, é para culpar os Estados Unidos de nossos males passados, presentes e futuros.
Não creio que isso seja de todo justo.
Não podemos esquecer que a América Latina teve universidades antes que os Estados Unidos criassem Harvard e William & Mary, que são as primeiras universidades desse país.
Não podemos esquecer que nesse continente, como no mundo inteiro, pelo menos até 1750 todos os americanos eram mais ou menos iguais: todos eram pobres.
Ao aparecer a Revolução Industrial na Inglaterra,outros países sobem nesse vagão: Alemanha, França, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e aqui a Revolução Industrial passou pela América Latina como um cometa, e não nos demos conta.
Certamente perdemos a oportunidade.
Há também uma diferença muito grande. Lendo a história da América Latina, comparada com a história dos Estados Unidos,compreende-se que a América Latina não teve um John Winthrop espanhol, nem português, que viesse com a Bíblia em sua mão disposto a construir uma Cidade sobre uma Colina, uma cidade que brilhasse, como foi a pretensão dos peregrinos que chegaram aos Estados Unidos.
Faz 50 anos, o México era mais rico que Portugal. Em 1950, um país como o Brasil tinha uma renda per capita mais elevada que o da Coréia do Sul.
Faz 60 anos, Honduras tinha mais riqueza per capita que Cingapura, e hoje Cingapura em questão de 35 a 40 anos é umpaís com $40.000 de renda anual por habitante. Bem, algo nós fizemos mal, os latino-americanos.
Que fizemos errado? Nem posso enumerar todas as coisas que fizemos mal.
Para começar, temos uma escolaridade de 7 anos.
Essa é a escolaridade média da América Latina e não é o caso da maioria dos países asiáticos. Certamente não é o caso de países como Estados Unidos e Canadá, com a melhor educação do mundo, similar a dos europeus.
De cada 10 estudantes que ingressam no nível secundário na América Latina, em alguns países, só um termina esse nível secundário.
Há países que têm uma mortalidade infantil de 50 crianças por cada mil, quando a média nos países asiáticos mais avançados é de 8, 9 ou 10.
Nós temos países onde a carga tributária é de 12% do produto interno bruto e não é responsabilidade de ninguém, exceto nossa, que não cobremos dinheiro das pessoas mais ricas dos nossos países. Ninguém tem a culpa disso, a não ser nós mesmos.
Em 1950, cada cidadão norte-americano era quatro vezes mais rico que um cidadão latino-americano. Hoje em dia, um cidadão norte-americano é 10, 15 ou 20 vezes mais rico que um latino-americano. Isso não é culpa dos Estados Unidos, é culpa nossa.
No meu pronunciamento me referi a um fato que para mim é grotesco e que somente demonstra que o sistema de valores do século XX, que parece ser o que estamos pondo em prática também no século XXI, é um sistema de valores equivocado.
Porque não pode ser que o mundo rico dedique 100.000 milhões de dólares para aliviar a pobreza dos 80% da população do mundo “num planeta que tem 2.500 bilhões de seres humanos com uma renda de $2 por dia” e que gaste 13 vezes mais ($1.300.000. 000.000) em armas e soldados.
Como disse esta manhã, não pode ser que a América Latina gaste $50.000* milhões em armas e soldados.
Eu me pergunto: quem é o nosso inimigo?
Nosso inimigo, presidente Correa, desta desigualdade que o Sr. aponta com muita razão, é a falta de educação; é o analfabetismo; é que não gastamos na saúde de nosso povo; que não criamos a infra-estruturar necessária, as estradas, os portos, os aeroportos; que não estamos dedicando os recursos necessários para deter a degradação do meio ambiente; é a desigualdade que temos que nos envergonhar realmente; é produto, entre muitas outras coisas, de que não estamos educando nossos filhos e nossas filhas.
Vá alguém a uma universidade latino-americana e parece no entanto que estamos nos sessenta, setenta ou oitenta.
Parece que nos esquecemos de que em 9 de novembro de 1989 aconteceu algo de muito importante, ao cair o Muro de Berlim, e que o mundo mudou. Temos que aceitar que este é um mundo diferente, e nisso francamente penso que os acadêmicos, que toda gente pensante, que todos os economistas, que todos os historiadores, quase concordam que o século XXI é um século dos asiáticos não dos latino-americanos.
E eu, lamentavelmente, concordo com eles. Porque enquanto nós continuamos discutindo sobre ideologias, continuamos discutindo sobre todos os “ismos” (qual é o melhor? capitalismo, socialismo, comunismo, liberalismo, neoliberalismo, socialcristianismo. ..) os asiáticos encontraram um “ismo” muito realista para o século XXI e o final do século XX, que é o pragmatismo.
Para só citar um exemplo, recordemos que quando Deng Xiaoping visitou Cingapura e a Coréia do Sul, depois de ter-se dado conta de que seus próprios vizinhos estavam enriquecendo de uma maneira muito acelerada, regressou a Pequim e disse aos velhos camaradas maoístas que o haviam acompanhado na
Grande Marcha: “Bem, a verdade, queridos camaradas, é que a mim não importa se o gato é branco ou negro, só o que me interessa é que cace ratos”.
E se Mao estivesse vivo, teria morrido de novo quando disse que “a verdade é que enriquecer é glorioso”.
E enquanto os chineses fazem isso, e desde 1979 até hoje crescem a 11%, 12% ou 13%, e tiraram 300 milhões de habitantes da pobreza, nós continuamos discutindo sobre ideologias que devíamos ter enterrado há muito tempo atrás.
A boa notícia é que isto Deng Xiaoping o conseguiu quando tinha 74 anos.
Olhando em volta, queridos presidentes, não vejo ninguém que esteja perto dos 74 anos. Por isso só lhes peço que não esperemos completá-los para fazer as mudanças que temos que fazer.

Muchas gracias.”

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Carta aos brasileiros-Revisão “A”


 Lula copiou o que havia de bom no governo anterior ao dele e hoje está aí por cima da carne seca. Para se eleger em 2002, teve que publicar uma Carta aos Brasileiros desmentindo tudo que havia dito até então.Assim, permito-me copiar a sua carta, adaptar e transformá-la numa verdadeira Carta aos Brasileiros que só pode ser implantada na sua íntegra por alguém competente e responsável como é José Serra.
Segue abaixo:

"O Brasil cresceu e quer continuar crescendo. Para continuar crescendo, incluir mais gente, pacificar as diferenças regionais que ainda persistem e foram incentivadas pelo atual governo. Crescer mais para consolidar o desenvolvimento econômico que hoje alcançamos e a justiça social onde ainda há tanto por fazer. Há em nosso país uma poderosa vontade popular de encerrar o atual ciclo político de corrupção e alianças espúrias.
Se em algum momento, ao longo desta década, a forma atual de governar conseguiu despertar esperanças de progresso econômico e social, hoje a decepção com os seus resultados é visível. Oito anos depois, o povo brasileiro faz o balanço e verifica que salvo um relativo crescimento econômico e um relativo avanço social, promessas fundamentais não foram cumpridas e as esperanças frustradas.
Nosso povo constata com pesar e indignação que embora a economia tenha crescido, continua vulnerável aos malfeitos públicos, não há planos consistentes de desenvolvimento sustentado, a corrupção continua alta, a desigualdade social persiste, o meio ambiente nunca foi tão agredido e, principalmente, a insegurança permanece assustadora.
O sentimento predominante em todas as classes e em todas as regiões é o de que o atual modelo caso continue neste pacto perverso entre os que se dizem progressistas e os tradicionais coronéis vendilhões da pátria, levará o país novamente à situação dos anos 80, a chamada década perdida. Por isso, o país não pode insistir nesse caminho, sob pena de continuar numa gangorra entre crescimento e estagnação ou até mesmo de sofrer, mais cedo ou mais tarde, um colapso econômico, social e moral.
O mais importante, no entanto, é que essa percepção aguda do caminho da atual forma de governar não está conduzindo ao desânimo, ao negativismo, nem ao protesto destrutivo. Ao contrário: apesar de todo o sofrimento injusto e desnecessário que grande parcela da população ainda é obrigada a suportar, enxergamos esperança de melhorias, crença nas possibilidades do país, a população continua disposta a apoiar e a sustentar um projeto nacional, que faça com que o Brasil continue crescendo, gerando empregos, reduzindo efetivamente a criminalidade, porém com seriedade e sustentabilidade sociale ambiental para manter nossa presença soberana e respeitada no mundo.
A sociedade está convencida de que o Brasil apesar de melhorar nos últimos 16 anos, ainda continua vulnerável e de que uma real estabilidade precisa ser consolidada por meio de corajosas e cuidadosas mudanças que os responsáveis pelo atual governo não querem absolutamente fazer. As pesquisas demonstram desde o ano passado que uma  maioria consistente apoia o candidato de oposição e essa preferência mostra ainda um desapontamento com os resultados e um desejo de aperfeiçoamento dos rumos do país.
A continuada adesão à nossa candidatura em todos os cantos do país demonstra ao longo do tempo o caráter de um movimento em defesa da melhoria da qualidade da forma de governar no Brasil, de nossos direitos e anseios fundamentais enquanto nação independente.
O povo brasileiro quer continuar mudando para valer. Recusa qualquer forma de continuísmo, seja ele assumido ou mascarado. Quer trilhar o caminho da consolidação da nossa economia pelo esforço conjugado de voltar a exportar mais e de não só manter mas aumentar ainda mais o mercado interno de consumo de massas. Quer ampliar o caminho de combinar o incremento da atividade econômica com políticas sociais consistentes e criativas. As reformas estruturais prometidas e não implementadas pelo atual governo que democratizam e modernizam o país, tornando-o mais justo, eficiente e, ao mesmo tempo, mais competitivo no mercado internacional serão desta vez colocadas em prática. Uma reforma tributária, que reduza efetivamente a absurda carga fiscal que se  abate sobre os meios de produção e sobre a população de classe média e mais pobre. Uma reforma agrária que assegure definitivamente a paz no campo. Uma redução real de nossas carências energéticas incentivando a produção de energias alternativas e efetivo aumento da produção de petróleo que estagnou ao longo dos últimos 4 anos a ponto de hoje precisarmos importar combustível. A redução efetiva de nosso déficit habitacional tão alardeada pelo atual governo e não efetivada. Uma reforma previdenciária de verdade beneficiando não só mas principalmente os aposentados que foram tão maltratados no atual governo, uma reforma trabalhista que assegure a redução responsável dos encargos trabalhistas permitindo uma geração maior de empregos formais. A manutenção do Bolsa-Família com o aperfeiçoamento da sua gestão evitará desperdícios e desvios de dinheiro que poderão ser revertidos em favor das famílias assistidas através de frentes de trabalho efetivas. Um apoio efetivo aos Estados para garantir de verdade a Segurança Pública.
O PSDB e seus parceiros têm plena consciência de que a melhoria do atual modelo, reclamada por grande parte da sociedade, não será feita de um dia para o outro. Não pretendemos reinventar o país. Não somos adeptos de frases fáceis como “nunca antes neste país”. Queremos sim, aproveitar tudo de bom que foi feito no Brasil desde a sua Independência e contribuir para as melhorias que ainda se fazem necessárias.
Será necessária uma análise criteriosa e responsável entre o que temos hoje e o que ainda falta fazer. O que se deixou de fazer em oito anos não será compensado em oito dias. O nosso plano não será implementado por decreto, de modo voluntarista como por exemplo foram o PAC e o programa de Direitos Humanos cuja aplicação é controversa e criou fissuras na sociedade. Será fruto de um planejamento responsável aliado a ampla negociação nacional, que deve conduzir a efetivos resultados capazes de assegurar a estabilidade e sustentabilidade no crescimento do país.
Premissa básica do nosso plano será naturalmente a manutenção e  respeito aos contratos e obrigações do país. A recente crise internacional com crescimento zero do país mostra que ainda nosso modelo é frágil, daí um crescente clamor popular pelo seu aperfeiçoamento.
À parte manobras puramente especulativas, que sem dúvida existem, o que há é uma persistente preocupação do mercado financeiro com o futuro desempenho da economia, gerando temores relativos à futura capacidade de exportação do país, o baixo e persistente investimento efetivo em infraestrutura, o fracasso do PAC que em 4 anos não conseguiu implantar nem 40 % do previsto,  a má  administração de sua dívida interna que atinge impressionantes 1,5 trilhão de reais, o dobro de 8 anos atrás. É a má qualidade de gastos públicos, a falta de transparência com os gastos em cartões de crédito corporativos, o enorme endividamento público, aumentado em duas vezes no governo Lula da Silva, que preocupa os investidores.
Trata-se de uma desconfiança na futura situação econômica do país, cuja responsabilidade primeira é do atual governo. Por mais que o governo insista, o estatismo exagerado não é panacéia para todos os males. Deve haver um equilíbrio responsável entre Estado e Mercado, entre oferta e procura, senão o dragão da inflação voltará com certeza. Já vimos este filme antes.
Graves distorções estruturais da economia são propostas pelo programa da candidata do governo, como a re-estatização desenfreada de modo totalitário, como o único caminho possível para o Brasil. Na verdade, há diversos países estáveis e competitivos no mundo que adotaram outras alternativas. O Chile por exemplo, adota um modelo equilibrado entre Estado e Capital que o tornou um dos países emergentes que mais se desenvolveram nos últimos 20 anos. Exatamente por isto, o povo chileno optou por um governo mais responsável que não prometeu romper com as políticas anteriores e sim, por melhorá-las ainda mais. Continuidade sem continuísmo.
Não importa a quem a crise inflacionária beneficia ou prejudica eleitoralmente, pois ela prejudica o Brasil. O que importa é que ela precisa ser evitada, pois causará sofrimento irreparável para a maioria da população. Para evitá-la, o equilíbrio entre oferta e procura deve ser mantido. Um estatismo exagerado, como já vimos no Brasil na década de 70, leva à ineficiência e crise de oferta. Da mesma forma, o liberalismo exacerbado, sem agentes de controle do governo.
O Banco Central do atual governo manteve políticas corretas de controle da inflação embora haja ainda ajustes na política de juros que devem ser efetuadas pois continuam atraindo capitais especulativos e voláteis. Os investidores não especulativos, que precisam de horizontes claros, ainda estão intranqüilos. E os especuladores ainda continuam ao nosso redor. A crise internacional ainda não foi superada. Não devemos permanecer tranqüilos com nossa marolinha. Ela pode ainda voltar como tsunami.
Que segurança o governo tem oferecido à sociedade brasileira? Tentou aproveitar-se de programas bombásticos para ganhar votos , desqualifica sistematicamente as oposições, é leniente com as tentativas de cercear a liberdade de imprensa e de opinião,num momento em que é necessário tranqüilidade e compromisso com o Brasil.
Como todos os brasileiros, quero a verdade completa. Não quero meias-verdades. Acredito que o atual governo coloca o país num rumo nebuloso. Lembrem-se todos: em 2002, o então candidato, hoje Presidente, com um discurso radical agravou uma crise que para ser contornada o obrigou a publicar uma Carta aos Brasileiros desmentindo todo seu passado para poder se eleger. Somente com a manutenção efetiva da política econômica vigente é que ele conseguiu superar a crise. Esta minha Carta aos Brasileiros não desmente minhas convicções passadas. Somente as reforça.
Estamos hoje vendo um discurso de volta às posições radicais, atravessando um cenário semelhante ao de antes de 2002. A expectativa da candidata do atual governo de ceder a políticas populistas de crescente estatização sem responsabilidade, de radicalizações políticas ultrapassadas, manutenção da política de juros ainda altos em relação ao restante do mundo que atraem investimentos especulativos, que puxam o dólar artificialmente para baixo e que pune as exportações.O caminho para evitar a volta da fragilidade das finanças públicas é redução de juros a níveis internacionais porém atrativos, aumento  e melhoria da qualidade das exportações com desoneração de impostos a ela relacionados e promover uma substituição competitiva de importações no curto prazo, impondo se necessário tarifas contra as importações subsidiadas.
Aqui ganha toda a sua dimensão de uma política dirigida a incentivar ainda mais a valorização do agronegócio e da agricultura familiar como planejado pelo governo do PSDB na década de 90. O cuidado adicional a se tomar é aliar esta política com responsabilidade ambiental. A reforma tributária com efetiva redução de impostos aliada a uma redução dos gastos públicos improdutivos, combate ferrenho à corrupção, os investimentos em infra-estrutura e as fontes de financiamento públicas devem ser canalizadas com absoluta prioridade para gerar divisas. Cada centavo economizado com a redução da corrupção será revertido em favor de políticas sociais e financiamento à saúde e educação. Saibam, brasileiros, que não é pouco dinheiro. Reduzir a corrupção à metade significa dinheiro sobrando para criar mais 5 Bolsas -Família.
Nossa política externa deve ser ampliada para esse imenso desafio de promover nossos interesses comerciais porém com responsabilidade e pragmatismo como sempre se destacou nossa diplomacia. Não devemos apoiar ditaduras irresponsáveis e criminosas e sempre mantermos nossa disposição ao díalogo externo.
Estamos conscientes que sem melhorias na política atual a crise voltará em curto prazo e junto com ela, a inflação, o maior de todos os males. Para evitá-la, o PSDB está disposto a dialogar com todos os segmentos da sociedade e com o próprio governo, de modo a evitar que a crise retorne e traga de novo aflição ao povo brasileiro.
Reservas cambiais altas por si só não previnem crises. 250 bilhões de dólares numa crise especulativa aguda não duram 3 meses. É muito bom termos reservas cambiais mas também, uma política de juros e de câmbio responsável. Gastos públicos responsáveis, aumentam a capacidade de investimento público, ajudam a reduzir a dívida interna, tão importantes para alavancar o crescimento econômico.
Esse é o melhor caminho para que os contratos continuem  a ser honrados e o país mantenha a liberdade de sua política econômica orientada para o desenvolvimento sustentável.
A importância do controle da inflação não precisa ser reiterada. Participei da elaboração do Plano Real que apesar da resistência dos ocupantes do governo atual foi onde o povo brasileiro teve seu maior ganho de renda da história.
A manutenção do combate à inflação, acompanhada do crescimento sustentado, da geração de empregos e da distribuição de renda, de uma política de combate à corrupção e à incompetência administrativa manterá o Brasil cada vez mais solidário e fraterno, um Brasil cada vez melhor, realmente de todos e não de alguns.
A manutenção do crescimento com responsabilidade fiscal e sem desperdício de gastos públicos é o verdadeiro remédio para impedir que se perpetue um círculo vicioso entre metas de inflação baixas, juro alto, oscilação cambial brusca e aumento da dívida pública.
O atual governo gerou aumento ainda maior da carga tributária no país penalizando a produção, gerou bolhas de crescimento sem sustentação, com oscilações bruscas de ano para ano. No cômputo geral, houve crescimento sim, mas instável e ainda não sustentado.  Com a sobrevalorização artificial de nossa moeda causada pelo ingresso brutal de capitais especulativos, graças à manutenção dos juros em patamares ainda elevados, o governo causou um baque em nossas exportações que podem a curto prazo se agravarem, caso tenhamos o continuísmo. 
Exemplo maior foi o fracasso na construção e aprovação de uma reforma tributária que banisse o caráter regressivo e cumulativo dos impostos, fardo insuportável para o setor produtivo e para a exportação brasileira. Não fosse a oposição, a famigerada CPMF ainda estaria aí penalizando os mais pobres. Ainda persiste a intenção num governo de continuidade, de se recriar a CPMF com outro nome.
A questão de fundo é que, para nós, o equilíbrio fiscal não é um fim, mas um meio. Queremos equilíbrio fiscal para crescer e não apenas para prestar contas aos nossos credores.
Embora o governo atual preservasse o superávit primário, a má qualidade de administração manteve o crescimento da dívida interna. Este crescimento só pode ser brecado com uma política  adequada de administração de juros e gastos públicos.
Mas é preciso insistir: só um crescimento sustentado e estável pode levar o país a contar com um equilíbrio fiscal consistente e duradouro. A estabilidade, o controle das contas públicas e da inflação sempre foram e devem continuar sendo as metas a serem perseguidas.
O desenvolvimento de nosso imenso mercado através da inclusão progressiva dos assistidos pelo Bolsa-Família no mercado formal revitalizará e impulsionará o conjunto da economia, ampliando de forma decisiva o espaço da pequena e da microempresa, oferecendo bases ainda mais sólidas para ampliar a oferta de emprego. Nossa meta é que num futuro não muito distante o Brasil não precise mais de bolsas assistenciais pois todos terão seus empregos e ocupações para não mais necessitarem de auxílio oficial. Até lá, reitero, o Bolsa Família continuará mas será substituído aos poucos por trabalho, emprego, saúde e educação para todos.
Em paralelo, o caminho do crescimento econômico com estabilidade e responsabilidade social e ambiental consolidará os avanços sociais. Meu governo se pautará pelo respeito às Leis, à Constituição e ao equilíbrio entre os poderes. Tentativas de cooptação de integrantes do Poder Legislativo e Judiciário pelo Executivo serão rigorosamente punidas. Vamos reordenar as contas públicas e mantê-las sob controle. Mas, acima de tudo, vamos fazer um Compromisso pela Produção, pelo emprego e por justiça social.
O que nos move é a certeza de que o Brasil é bem maior que todas as crises. O país não suporta mais conviver com a idéia de uma terceira década perdida. O Brasil precisa navegar no mar aberto do desenvolvimento econômico e social. É com essa convicção que chamo todos os que querem o bem do Brasil a se unirem em torno de um programa de continuidade sem continuísmo, corajoso e responsável."

José Serra poderá escrever assim e assinarei embaixo
São Paulo, 20 de fevereiro de 2010