Domingo, Novembro 15, 2009

A volta da censura aos blogs

Não bastasse o jornal "O Estado de São Paulo" estar sob censura por influência da "Famiglia do Capo Sarney" que já conseguiu censurar em 2006 os blogs das irmãs Alcinéa e Alcilene Cavalcanti.

Em Mato Grosso um juiz concedeu liminar impedindo o blog Prosa e Política de Adriana Vandoni de emitir opiniões pessoais sobre as ações do deputado estadual José Riva(PP-MT) .

Este cidadão é acusado pelo MP Federal de diversas ações espúrias no exercício de seu mandato bem como de compra de votos e abuso de poder econômico. Leiam abaixo nos links as notícias sobre o parlamentar e tirem suas conclusões sobre este cidadão, que é alcunhado no popular, de "Maluf do MT".

JB Online - 1

JB Online - 2

Adriana em seu blog só fez divulgar e comentar tais notícias como todos nós blogueiros fazemos ao verificarmos que cidadãos eleitos pelo povo para representá-lo demonstram desvios de conduta ética e porisso está sendo punida pela decisão de um juiz que no mínimo está desinformado sobre o que significa liberdade de expressão e o que significa a palavra democracia. Além do que confunde blog pessoal com imprensa.

O União e Ação e o Estou de Olho estão solidários com Adriana assim como toda a blogosfera do bem está , tenho certeza.

Quinta-feira, Fevereiro 26, 2009

O Silêncio dos bons

Vale a pena copiar aquilo que fala a verdade, não as meias-verdades.

Diamantina, interior de Minas, 1914. O jovem Juscelino Kubitschek, de 12 anos, ganha seu primeiro par de sapatos. Passou fome. Jurou estudar e ser alguém. Com inúmeras dificuldades, concluiu Medicina e se especializou em Paris. Como presidente, modernizou o Brasil. Legou um rol impressionante de obras e amantes; humilde e obstinado, é (e era) querido por todos.

Brasília, 2003. Lula assume a presidência. Arrogante, se vangloria de não ter estudado. Acha bobagem falar inglês. 'Tenho diploma da vida', afirma. E para ele basta. Meses depois, diz que ler é um hábito chato. Ler jornais lhe dá azia. Quando era sindicalista, percebeu que poderia ganhar sem estudar e sem trabalhar - sua meta até hoje, ao que parece.

Londres, 1940. Os bombardeios são diários, e uma invasão aeronaval nazista é iminente. O primeiro-ministro W. Churchill pede ao rei George VI que vá para o Canadá. Tranqüilo, o rei avisa que não vai. Churchill insiste: então que, ao menos, vá a rainha com as filhas. Elas não aceitam e a filha mais velha entra no exército britânico; como tenente-enfermeira, sua função é recolher feridos em meio aos bombardeios. Hoje ela é a rainha Elizabeth II.

Brasília, 2005. A primeira-dama Marisa requer cidadania italiana - e consegue. Explica, candidamente, que quer 'um futuro melhor para seus filhos'. E O FUTURO DOS NOSSOS FILHOS?

Washington, 1974. A imprensa americana descobre que o presidente Richard Nixon está envolvido até o pescoço no caso Watergate. Ele nega, mas jornais e Congresso o encostam contra a parede, e ele acaba confessando. Renuncia nesse mesmo ano, pedindo desculpas ao povo

Brasília, 2005. Flagrado no maior escândalo de corrupção da história do País, e tentando disfarçar o desvio de dinheiro público em caixa 2, Lula é instado a se explicar. Ante as muitas provas, Lula repete o 'eu não sabia de nada!', e ainda acusa a imprensa de persegui-lo. Disse que foi 'traído', mas não conta por quem.

Londres, 2001. O filho mais velho do primeiro-ministro Tony Blair é detido, embriagado, pela polícia. Sem saber quem ele é, avisam que vão ligar para seu pai buscá-lo. Com medo de envolver o pai num escândalo, o adolescente dá um nome falso. A polícia descobre e chama Blair, que vai sozinho à delegacia buscar o filho, numa madrugada chuvosa. Pediu desculpas ao povo pelos erros do filho.

Brasília, 2005. O filho mais velho de Lula é descoberto recebendo R$ 5 milhões de uma empresa financiada com dinheiro público. Alega que recebeu a fortuna vendendo sua empresa, de fundo de quintal, que não valia nem um décimo disso. O pai, raivoso, o defende e diz que não admite que envolvam seu filhinho nessa 'sujeira'. Qual sujeira?

Nova Déli, 2003. O primeiro-ministro indiano pretende comprar um avião novo para suas viagens. Adquire um excelente, brasileiríssimo BEM-195, da Embraer, por US$ 10 milhões.

Brasília, 2003. Lula quer um avião novo para a presidência. Fabricado no Brasil não serve. Quer um dos caros, de um consórcio anglo-alemão. Gasta US$ 57 milhões e manda decorar a aeronave de luxo nos EUA. Depois se finge indignado com a demissão de 4.200 funcionários da Embraer.

E você, já decidiu o que vai fazer nos próximos cinco minutos?

Vamos repassar estas informações por e mail para a maioria dos nossos contatos?

Vamos dar ao BRASIL uma nova chance?

Ele precisa voltar para o caminho da dignidade.

Nós não merecemos o desgoverno que se instalou em nosso País e precisamos acordar e lutar antes que seja tarde.

Perca mais cinco minutos e converse com todos os seus amigos que não têm acesso a internet.

“O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”.

Martin Luther King

Terça-feira, Janeiro 20, 2009

CARTA ABERTA E UMA ACUSAÇÃO GRAVE

Caso Battisti - Solidariedade aos italianos


Vimos por meio desta nos solidarizar ao repúdio do governo italiano frente à atitude irresponsável e vexaminosa do Ministro da Justiça brasileiro, Tarso Genro, de conceder refúgio político ao assassino e terrorista Cesare Battisti.

Como cidadãos brasileiros, sentimos vergonha em ter como representante uma pessoa com esse tipo de atitude, que coloca o próprio alinhamento ideológico acima dos valores da vida e da justiça.

Com o intuito de favorecer um criminoso que tirou covardemente a vida de cidadãos italianos, o ministro Tarso joga no lixo as boas relações entre nossas duas nações. E pior, com o apoio explícito do Presidente da República.

Que caia a máscara hipócrita desse governo, que em todas as ocasiões possíveis, colocou-se como aliado de ditaduras e grupos terroristas, como é o caso de Cuba, das FARC, do Hamas e agora por último, dos terroristas italianos. É esse mesmo governo que almeja um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Nós, brasileiros de bem, não compactuamos com as posições adotadas unilateralmente por defensores de criminosos que, a pretexto de defender e questionar direitos que não lhes são cabidos, acobertam e dão guarida a indivíduos indesejáveis tanto aqui como em seus países de origem.

A decisão de Tarso Genro NÃO REPRESENTA o Povo Brasileiro.

A Itália deve tomar as medidas necessárias para denunciar e rechaçar esse ato que envergonha e humilha os cidadãos brasileiros e que despertou a justa revolta de nossos irmãos italianos.

Também repudiamos atitudes baseadas em ideologias políticas ao invés da análise técnica e jurídica prevista em Acordos Internacionais e Tratados de Extradição entre nossos países (vide decreto nº 883, de 1993).


Nosso apoio e franca estima!


Grupo de Internautas Brasileiros
a favor da extradição de Cesare Battisti

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J’accuse

Por Ralph J. Hofmann (Com agradecimento a Émile Zola pelo empréstimo do título)

Meu dever é de falar, não quero ser cúmplice. (E.Z.)

Tenham em mente que o capitão de um navio tem em última instância responsabilidade por tudo que acontece a bordo do mesmo. (RJH)

Eu acuso Luiz Inácio Lula da Silva de candidatar-se à presidência do Brasil, tendo amplo conhecimento do fato de que não tinha qualidades nem qualificações para sê-lo.

Eu acuso Lula da Silva de, não tendo condições de tomar as decisões adequadas para governar o Brasil, indicar para assessorá-lo, na maioria das vezes, elementos que não tem o bem estar do Brasil por objetivo e sim a realização de um projeto político internacional contrário aos interesses do país.

Eu acuso Lula da Silva de desmontar estruturas de controle e monitoração das coisas públicas, esvaziando-as de suas atribuições ou colocando no seu comando aliados incompetentes.

Eu acuso Lula da Silva de criar uma centena de milhar de cargos de confiança para beneficiar sua estrutura de apoio, inchando enormemente a estrutura de ministérios.

Eu acuso Lula da Silva de haver perenizado um assistencialismo via Bolsas Família, assim condenando novas gerações a viver num mundo de sombras sem oportunidade de realização pessoal.

Eu acuso Lula da Silva de não ter criado cursos profissionalizantes para evitar as novas gerações de beneficiados pelas Bolsas Família.

Eu acuso Lula da Silva de, repetidamente, apoiar ações internacionais contrárias aos interesses brasileiros.

Eu acuso Lula da Silva de pouco ou nada fazer para reduzir o caos causado pelos crimes comuns que assolam o país. .

Eu acuso Lula da Silva de malbaratar dinheiro em assistencialismo a países vizinhos, ao mesmo tempo dedicando muito poucos recursos à assistência efetiva no país.

Eu acuso Lula da Silva de conviver com a corrupção de pessoas que ocupam cargos de sua nomeação e que poderiam ser afastadas por uma simples ordem presidencial sem precisar esperar um processo.

Eu acuso Lula da Silva de ignorar indícios de enriquecimento ilícito e desproporcional no seio de sua própria família.

Eu acuso Lula da Silva de pusilanimidade ante dirigentes de países vizinhos.

Eu acuso Lula da Silva de albergar elementos da escória criminal internacional no Brasil.

Eu acuso Lula da Silva de pertencer a uma entidade cujos interesses são francamente contrários aos interesses de um Brasil legitimamente democrático e de favorecer tal entidade.

Eu acuso Lula da Silva de permitir à corrupção crescer tanto que a falta dos valores da mesma comprometem programas permanentes dos ministérios.

Eu acuso Lula da Silva de, ao arrepio das leis, encorajar e financiar entidades que cometem atos criminosos contra os agropecuaristas do país.

Eu acuso Lula da Silva de permitir o financiamento de entidades que praticam crueldade gratuita contra animais, em invasões de propriedades.

Eu acuso Lula da Silva de não mandar processar criminalmente elementos que cometem atos destrutivos em instituições públicas, tais como o próprio congresso.

Eu acuso Lula da Silva de permitir o bloqueio das estradas do país por elementos transportados em veículos fretados com dinheiro público repassado a ONGs.

Eu acuso Lula da Silva de tornar o Brasil alvo de chacota internacional pelas impropriedades que profere em reuniões internacionais

Eu acuso Lula da Silva de propor obras prioritárias para ele, desviando recursos de obras de manutenção absolutamente necessárias para o país, regularmente previstas em orçamento.

Eu acuso Lula da Silva de, tendo desviado dinheiro para obras que considera prioritárias, iniciá-las e não levá-las adiante.

Eu acuso Lula da Silva de defender tiranos e tiranetes.

Eu acuso Lula da Silva de não protestar contra massacres como o de Darfur.

Eu acuso Lula da Silva de compactuar com o sequestro de boxeadores cubanos.

Eu acuso Lula da Silva de conspirar contra a Liberdade de Imprensa no Brasil.

Eu acuso Lua da Silva de um gasto excessivo em viagens inócuas, viagens em muito maior número do que os exageros que imputava ao seu predecessor.

Eu acuso Lula da Silva de não exigir a pronta abertura de processos no rigor da lei contra prefeitos em cujas administrações o TCU detectou mau uso de recursos públicos.

Em suma, acuso Lula da Silva de ser permissivo, indolente e inativo salvo naquilo que possa perpetuar seus pares no poder, numa mostra clara de rejeição da verdadeira democracia e do valor de uma alternância no poder.

Eu acuso também, como um todo, a classe política do país, mesmo reconhecendo a existência de exceções sem distinção de partido, de deixarem fenecer os sentimento de patriotismo, de missão, de auto sacrifício que seus eleitores teriam o direito de esperar em troca de terem colocado os mesmos no poder.

Não é com prazer que faço estas acusações, nem com maldade. Quisera que nosso primeiro presidente-operário tivesse tido uma atuação digna das honras e da confiança nele depositado pelos colegas ao longo de sua lenta ascensão ao poder. Lamentavelmente não foi assim. E em vista disto cabe relembrar a todos sempre este acúmulo de desvios de conduta ao longo destes seis anos, para que os eleitores e candidatos deste país sofredor os tenham em mente em futuros pleitos.

(Agradecendo sugestões recebidas de um fraterno amigo)

Domingo, Junho 22, 2008

Pode ser que ele esteja maluco

Crônica de João Ubaldo Ribeiro

Estado de São Paulo - 22/08/2008


Sei que, para os lulistas religiosos, a ressalva preliminar que vou fazer não adiantará nada. Pode ser até tida na conta de insulto ou deboche, entre as inúmeras blasfêmias que eles acham que eu cometo, sempre que exponho alguma restrição ao presidente da República. Mas tenho que fazê-la, por ser necessária, além de categoricamente sincera. Ao sugerir, como logo adiante, que ele não está regulando bem do juízo, ajo com todo o respeito. Dizer que alguém está maluco, principalmente alguém tido como sagrado, pode ser visto até como insulto, difamação ou blasfêmia mesmo. Mas não é este o caso aqui. Pelo menos não é minha intenção. É que às vezes me acomete com tal força a percepção de que ele está, como se diz na minha terra, perturbado da idéia que não posso deixar de veiculá-la. É apenas, digamos assim, uma espécie de diagnóstico leigo, a que todo mundo, especialmente pessoas de vida pública, está sujeito.

Além disso, creio que não sou o único a pensar assim. É freqüente que ouça a mesma opinião, veiculada nas áreas mais diversas, por pessoas também diversas. O que mais ocorre é ter-se uma certa dúvida sobre a vinculação dele com a realidade. Muitas vezes - quase sempre até -, parece que, quando ele fala "neste país", está se referindo a outro, que só existe na cabeça dele. Há alguns dias mesmo, se não me engano e, se me engano, peço desculpas, ele insinuou ou disse claramente que o Brasil está, é ou está se tornando um paraíso. Fez também a nunca assaz lembrada observação de que nosso sistema de saúde já atingiu, ou atingirá em breve, a perfeição, até porque está ao alcance de qualquer cidadão, pela primeira vez na História deste país, ter absolutamente o mesmo tratamento médico que o presidente da República.

Tal é a natureza espantosa das declarações dele que sua fama de mentiroso e cínico, corrente entre muitos concidadãos, se revela infundada e maldosa. Ele não seria nem mentiroso nem cínico, pois não é rigorosamente mentiroso quem julga estar dizendo a mais cristalina verdade, nem é cínico quem tem o que outros julgam cara-de-pau, mas só faz agir de acordo com sua boa consciência. Vamos dar-lhe o benefício da dúvida e aceitar piamente que ele acredita estar dizendo a absoluta verdade.

Talvez haja sinais, como dizem ser comum entre malucos, de uma certa insegurança quanto a tal convicção, porque ele parece procurar evitar ocasiões em que ela seria desmentida. Quando houve o tristemente célebre acidente aéreo em Congonhas, a sensação que se teve foi a de que não tínhamos presidente, pois os presidentes e chefes de governo em todo o mundo, diante de catástrofes como aquela, costumam cumprir o seu dever moral e, mesmo correndo o risco de manifestações hostis, procuram pessoalmente as vítimas ou as pessoas ligadas a elas, para mostrar a solidariedade do país. Reis e rainhas fazem isso, presidentes fazem isso, primeiras-damas fazem isso, premiers fazem isso. Ele não. Talvez tenha preferido beliscar-se para ver ser não estava tendo um pesadelo. Mandou um assessor dizer umas palavrinhas de consolo e somente três dias depois se pronunciou a distância sobre o problema. O Nordeste foi flagelado por inundações trágicas, o Sul assolado por seca sem precedentes, o Rio acometido por uma epidemia de dengue, ele também não deu as caras. E recentemente, segundo li nos jornais, confidenciou a alguém que não compareceria a um evento público do qual agora esqueci, por temer receber as mesmas vaias que marcaram sua presença no Maracanã.

Portanto, como disse Polônio, personagem de Shakespeare, a respeito do príncipe Hamlet, há método em sua loucura. Não é daquelas populares, em que o padecente queima dinheiro (somente o nosso, mas aí não vale) e comete outros atos que só um verdadeiro maluco cometeria. Ele construiu (enfatizo que é apenas uma hipótese, não uma afirmação, porque não sou psiquiatra e longe de mim recomendar a ele que procure um) um universo que não pode ser afetado por cutucadas impertinentes da realidade. Notícia ruim não é com ele, que já tornou célebre sua inabalável agnosia ("não sei de nada, não ouvi nada, não tive participação nenhuma") quanto a fatos negativos. Tudo de bom tem a ver com ele, nada de ruim partilha da mesma condição.

Agora ele anuncia que, antes de deixar o mandato, vai registrar em cartório todas as suas realizações, para que se comprove no futuro que ele foi o maior presidente que já tivemos ou podemos esperar ter. Claro que se elegeu, não revolucionariamente, mas dentro dos limites da ordem (?) jurídica vigente, com base numa série estonteante de promessas mentirosas e bravatas de todos os tipos. Não cumpriu as promessas, virou a casaca, alisou o cabelo, beijou a mão de quem antes julgava merecedor de cadeia e hoje é o presidente favorito dos americanos, chegando mesmo, como já contou, a acordar meio aborrecido e dar um esbregue em Bush. Cadê as famosas reformas, de que ouvimos falar desde que nascemos? Cadê o partido que ia mudar nossos hábitos e práticas políticas para sempre? O que se vê é o que vemos e testemunhamos, não o que ele vê. Mas ele acredita o contrário.

Acredita, inclusive, nas pesquisas que antigamente desdenhava, pois os resultados o desagradavam. Agora não, agora bota fé - e certamente tem razão - depois que comprou, de novo com o nosso dinheiro, uma massa extraordinária de votos. Não creio que ele se julgue Deus ainda, mas já deve ter como inevitável a canonização e possivelmente não se surpreenderá, se lhe contarem que, no interior do Nordeste, há imagens de São Lula Presidente e que, para seguir velha tradição, uma delas já foi vista chorando. Milagre, milagre, principalmente porque ninguém vai ver o crocodilo por trás da imagem.

Segunda-feira, Maio 26, 2008

O RETORNO AO ESTADO NOVO E O NOVO CESARISMO

por: Waldo Luís Viana*

Em 1937, Getúlio deu um golpe de Estado e, com a ajuda dos militares, tornou-se ditador. Vargas era ortodoxo e conservador, em matéria econômica, e bastante autoritário em termos políticos. No entanto, ergueu modelo de gestão que forjou nossa infra-estrutura de desenvolvimento. O regime do Estado Novo, instaurado pela Constituição de 1937 em pleno clima de contestação da liberal-democracia na Europa, trouxe à vida política e administrativa brasileira as marcas da centralização e da suspensão dos direitos políticos.

Seu modelo de desenvolvimento baseou-se num Estado forte, em política de industrialização de substituição de importações e, num segundo momento, no capital externo, como desenvolvimento de risco. Tal modelo de Estado desenvolvimentista esgotou as possibilidades de sustentação econômica ao final da década de 70, tendo em vista a recessão ocorrida no país, no início dos anos 1980.

Vargas tinha apoio popular – projetando sobre a nação a imagem de “pai dos pobres” – instaurando de cima para baixo uma legislação trabalhista que acabou se tornando a geratriz do populismo. A “política de populismo” tratava-se de uma prática paternalista, clientelista e cartorial, na qual o Estado exercia tutela sobre a sociedade civil, os sindicatos e demais instituições, regulando a vida de tudo e de todos. O projeto populista de Vargas também incluía a promoção do desenvolvimento interno, com base na empresa nacional e sob a liderança da burguesia urbana.

Conquanto beneficiasse os trabalhadores com leis sociais avançadas, impedia-os de abraçar teorias socialistas que assombrassem de algum modo a elite industrial. Em nenhum momento de seu governo a questão agrária foi tocada. Embora haja favorecido o trabalhador industrial, não melhorou devidamente as condições dos trabalhadores rurais e braçais. Vargas revelou-se contraditório (também era chamado de “mãe dos ricos”) em nome de um projeto que julgava ser o melhor para o país, fechando o Congresso, reprimindo as liberdades públicas, isolando os descontentes, perseguindo os inimigos e impondo-se como estadista popular e divisor de paixões.

Lula elegeu-se sob a égide da “Carta aos brasileiros”, em 2002, convencendo a burguesia industrial e as classes médias medrosas de que não romperia com o regime capitalista, não quebraria contratos nem o regime jurídico regulatório e incipiente que nos governa. Ao prometer que não rasgaria a Constituição, como fez Getúlio, venceu as eleições, prosseguiu com a política ortodoxa, monetarista e fiscal de seu antecessor, aprofundando algumas políticas compensatórias de ordem social e paternalista.

Conseguiu enorme popularidade com o programa “bolsa-família”, principalmente entre as camadas pobres e chegou ao segundo mandato. Não precisou fechar o Congresso, mas, com a enxurrada de medidas provisórias oriundas do Executivo, praticamente paralisou um poder Legislativo desmoralizado, principalmente pelo escândalo do mensalão, ocorrido em 2005.

Lula, assim como Getúlio, fala diretamente ao povo, sem precisar de intermediários. Os partidos, no máximo, colonizam a administração inchada de seu governo, com uma máquina de quase 50 ministérios, divididos pelos aliados que formam uma coesa elite patrimonialista, ocupada em dividir cargos, interesses, influências e privilégios nos investimentos e obras públicas.

O presidente não superou a política populista de Vargas, pelo contrário. Aprofundou a influência das centrais sindicais e dos sindicatos pelegos, mantendo todos os seus privilégios, incluindo a não fiscalização de seus haveres e gastos pelo Tribunal de Contas, tomando, em troca, um apoio político que, em seu modo de ver, lhe garante a continuidade no poder.

Lula não é bobo, é muito esperto, embora tenha nascido de mãe “analfabeta”. Sua popularidade chegou ao auge e não tem para onde crescer, a não ser para a perigosa unanimidade dos regimes totalitários. Nélson Rodrigues diria que “toda a unanimidade é burra”, ao que acrescentaria, com humildade, “e muito perigosa”, porque encobre intenções ditatoriais.

A recente saída de Marina Silva, um grande truque de marketing que surpreendeu e enfureceu o próprio Lula, é um divisor de águas. Um antes e depois de “Cristo”! Antes, Lula ainda escutava o seu partido, aquele antigo do “Lula-lá-perseguindo-a-estrela” – lembram-se? – para agora emporcalhar a sua biografia, atrelado ao PMDB fisiológico de alguns governadores e senadores, interessados apenas em dividir o butim do Erário e das benesses. Esqueceu os valores, mas só pensa em “valores”.

É o apóstolo dos biocombustíveis, de uma trêfega política externa terceiro-mundista, emparedada por todos os lados por outros invejosos países emergentes, faz concessões absolutamente cosméticas às esquerdas, permitindo discutíveis cotas raciais, programas de primeiro-emprego e banco popular absolutamente fracassados, um programa Fome-Zero degenerado em inflação de alimentos, um projeto de obras públicas cujos orçamentos ainda não foram liberados, comícios intermináveis contra uma oposição completamente incompetente e insegura – enfim, trata da própria vida, procurando costurar um impasse político-institucional que conclame a sociedade a lhe pedir um terceiro mandato.

E Lula, docemente constrangido, baseado em pesquisas eleitorais que o alçam a níveis estratosféricos de popularidade – assim como Getúlio – o presidente-operário quer se transformar em novo César. “Vim, vi e venci” – sopra-nos ao ouvido. Não é “sacanagem pura”. Nada pode detê-lo no objetivo de imperador divino de “cuidar do povo brasileiro”.

Como todo proto-ditador, Lula não preparou sucessores. Os pretendentes são todos inferiores, balões de ensaio “in vitro”, incapazes de vingar “in vivo”. Ninguém tem seu carisma e é escutado pelo povo como ele. Os candidatos têm que convencer que são seus filhos, num regime presidencialista que raramente transfere votos. E Lula não apóia ninguém, a não ser quem não lhe ameace o próprio poder. Não tem amigos, tem assessores e vassalos.

Com César e Getúlio foi assim. O primeiro foi assassinado, por uma conspiração de senadores, e o segundo, por uma conspiração da burguesia, da alta classe-média e dos militares, o que o conduziu pela vergonha a dar um tiro no peito.

Com nosso César, a história não acabará como tragédia, mas sim, como farsa. Ele quer legislar sozinho, porque só ele sabe o caminho; não precisa de juízes, consertando os defeitos constitucionais de seu governo, porque magistrado é muito formal e só atrapalha; com os políticos ele não quer negociar fisiologicamente, porque lhe causa nojo e fastio; aos companheiros, ameaça sempre em lhes retirar o tapete, se não fizerem o que ele quer, porque ele é maior que os partidos que o defendem. Sobre os vários escândalos por que o seu curto período de governo passou, Lula tem a dizer que não sabe de nada. Nosso César só precisa de palco e povo. Seu Coliseu é o PAC (o palco) e seus leões famintos, os sindicatos e fundos de pensão. Pão (com trigo caro) e circo (futebol e TV) para o povo. A fórmula está pronta!

A nova aristocracia que o cerca, de sindicalistas, políticos fisiológicos de todos os calibres e a plutocracia de dentro e de fora, agradecidos com os juros altos, não têm qualquer pretensão revolucionária. O Estado, enquanto for maternal, alargando os impostos e os gastos públicos, hipertrofiado por enorme ineficiência, para eles está muito bem como está: “o hômi tá pagano...”

Lula não precisa de um Estado Novo, Brasília é a Nova Roma, uma prostituta, como disse certo tribuno e senador romano. Ela aceita tudo, desde que o poder continue condividido entre as elites predatórias e patrimoniais. O país espanta o mundo com as suas reservas profundas de petróleo, com o biocombustível e a destruição da Amazônia. O novo César quer reformar as Forças Armadas para que não “encham o saco”, colocando os generais, almirantes e brigadeiros em seus devidos lugares. Hoje, os militares são legalistas. Vão para a casa dormir, enquanto esperam as fórmulas mágicas e estrangeiras de Mangabeira Unger e do nosso Comandante Zero, que já rodou muita bolsinha – como disse em recente conferência no exterior.

Marina Silva caiu. A floresta amazônica continua desmatada e Roraima retalhada (pronuncia-se, segundo a mídia politicamente correta “Róraima, como Ângela Ró-Ró”). Os militares na caserna, caladinhos com o aumento salarial concedido e Lula coroado e feliz, colhendo uma floresta virtual de votos...

Regressamos ao Estado Novo, com um novo César e uma floresta virtual de votos! A Pátria está salva...

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*Waldo Luís Viana é escritor e economista.

Rio de Janeiro, 17 de maio de 2008.

Sexta-feira, Abril 04, 2008

Vergulho ou orgonha?

Existem leitores que são indispensáveis. Enriquecem nossos textos, abrem horizontes, sugerem caminhos e ampliam as possibilidades. Escrevem para reclamar, para perguntar, para contestar, mas são sempre positivos. Querem construir.Como o Claudio, que ao ler um artigo em que eu falava do orgulho e da vergonha de ser brasileiro, soltou esta pérola: “... se tenho orgulho ou vergonha do meu país? Acho que tenho vergulho... Ou orgonha... Vale ter vergonha e orgulho ao mesmo tempo?”.Ótima pergunta Claudio! Ela resume a contradição do “ser brasileiro”. Hora somos abençoados, hora somos amaldiçoados. Na verdade, talvez sempre tenha sido assim, a história balançando como um pêndulo, indo cada vez para um lado. Se nos anos cinqüenta éramos o orgulhoso país do futuro, cheio de conquistas, de heróis, de música e de esperança, da metade dos anos sessenta à metade dos oitenta ficamos mais sérios, mais contidos, mais medrosos enquanto observávamos o “milagre econômico” e os generais carrancudos. Depois, na década de noventa, durante os anos da abertura, ficamos desorientados, desbundados, perplexos e ansiosos diante da abertura dos portos, da globalização e da democracia. E entramos no novo milênio para descobrir que faltava-nos preparo, estrutura, cultura, coragem e conhecimento para que o Brasil finalmente acordasse de seu berço esplêndido. E broxamos ao descobrir (na verdade, acho que para a maioria a ficha ainda não caiu) que é impossível construir um país sem um plano. E sem gente comprometida a realizar o plano. Pois deu no que deu. Não sei se tenho orgulho ou vergonha no país onde todo mundo tem opinião sobre tudo, baseado naquilo que ouviu dizer. Onde o principal meio de informação é a televisão apressada, superficial e refém dos objetivos comerciais. O país onde política é balcão de trocas. Onde a inveja é moeda corrente, onde uns torcem para que os outros não dêem certo. O país onde o conselho mais comum é: “Cuidado! Agora não é hora! Espera um pouco. Deixa pra depois.”.
Minha esperança está sabe onde? Em nossos filhos. Apesar do massacre cultural sem precedentes vejo neles uma centelha de indignação. Uma pequena chama de revolta produzindo uma tímida luz de esperança. Essa chama pequenina quase desaparece, sufocada por gente que acha normal o Presidente da República elogiar em público um político sabidamente corrupto. Ou o gari que devolveu ao dono o dinheiro perdido ser tratado como herói ou trouxa, nunca como uma pessoa normal. Gente que acha certo “inaugurar” obras pela metade em ano de eleição. Que a televisão explore a tragédia exibindo incessantemente videoclipes melosos da inocente menininha assassinada sabe-se lá por quem. Gente que acha normal um senhor de cabelos brancos, músico conhecido, dizendo na TV que “sem socialismo não dá pra falar de amor”.
É, meus amigos, não está fácil...
Temos que alimentar aquelas pequeninas chamas escrevendo, conversando, palestrando, explicando, provocando... Jamais nos alinhando aos que estão conformados ou acham “normal” o que deveria nos indignar.Para que depois que nos retirarmos da luta nossos filhos continuem até eliminar deste país a cultura do vergulho e da orgonha. Para que um dia um líder verdadeiro diga na televisão, de forma legítima e honesta:
“Nunca antes neste país as pessoas tiveram tanto orgulho. E vergonha na cara”. Luciano Pires

Terça-feira, Janeiro 08, 2008

FRASES SÁBIAS


Entregue um governo nas mãos de um trabalhador socialista e a primeira coisa que ele faz é aumentar impostos;

A segunda é empregar parentes e companheiros;

A terceira é aumentar os gastos sociais inclusive os gastos dele (afinal ele é socialista);

Depois ele vai pensar em como governar.