quarta-feira, 24 de março de 2010
sábado, 20 de março de 2010
quarta-feira, 17 de março de 2010
quarta-feira, 10 de março de 2010
As ótimas charges do Roque Sponholz
Sponholz é um arquiteto de Blumenau e além de bom arquiteto, é um ótimo chargista e observador sagaz do momento político que traduz imediatamente para a imagem. Acompanho suas charges já há mais de 5 anos na Internet. Hoje elas estão difundidas por todo o Brasil. Vejam abaixo parte pequena de sua obra e se quiserem, vão ao website dele(aqui neste link) para verem mais. O download é livre.
Os papeis do Ministério da Defesa
Tem algo mais que a cabeça de Fernando Henrique nesta história. Desde a deposição do Imperador Pedro II as forças armadas assumiram o principal papel do imperador: o Poder Moderador.
De forma legal e previsível o Imperador atuava sobre o Legislativo e Judiciário, numa regra de jogo que as diversas correntes políticas aceitavam, na maioria das vezes numa boa: mexia-se nos outros poderes e mudava-se os peões quando se achasse necessário.
Ao exercerem o mesmo papel, as forças militares geraram ódios em vastos segmentos da sociedade ao mesmo tempo que outros segmentos as incentivavam para ir em frente e atropelar o presidente no poder, como Carlos Lacerda fez mais de uma vez. A população polarizava ao extremo em torno dessas lideranças.
Para compensar o Presidente Goulart tentou diminuir o poder militar, subvertendo a ordem até que a paciência fardada se esgotasse. Contrariamente ao que alguns jornalistas declararam em suas memórias, expressiva parte da população apoiou a revolução de 31 março que os desafetos rotularam como o golpe do 1º de abril.
E assim o Brasil viveu por 21 anos, os militares criando hostilidades em muitas frentes, perdendo o apoio da maior parcela da população que respaldara o movimento militar em seu início. O Poder Moderador militar bem que tentou mas nunca conseguiu ter o charme e a empatia de D. Pedro II.
Em 1985 entram em cena os presidentes civis tentando enfiar os três ministérios militares num fundo de gaveta. Até que FHC resolve o problema espacial, transformando os três ministérios num único, o da Defesa, inspirado no modelo norte-americano.
O Ministério da Defesa norte-americano surgiu no início de uma rebelião militar no ano de 1.783, com as tropas acampadas em Newburg, N.Y., com a vitória na guerra da independência à vista, mas ainda incerta; o General Horatio Gates estimulou oficiais subordinados a levantar a tropa contra o Congresso ou marchar para a Filadelfia e capturar o governo. George Washington em reação convocou uma reunião da tropa para uma quinzena, designou o General Gates para presidi-la, deixando a impressão que um amigo dos insurretos iria dirigir os trabalhos e que ele nem apareceria no evento; enquanto isso planejou a estratégia e convocou seus aliados para a reação.
Num pronunciamento inesperado e emocional, Washington virou o jogo e obteve o apoio de 500 oficiais no evento, criando o conceito que os militares aconselham e a liderança civil decide. Seis anos mais tarde, este conceito foi transposto para a Constituição.
Assim hoje em dia, o Presidente Obama é quem decidiu aumentar o envolvimento americano no Afeganistão e o Congresso é quem decide liberar as verbas para dar andamento à decisão. É o presidente e o Congresso, não os militares, que decidem se as leis devem ser mudadas para permitir aos gays e lésbicas a servirem nas forças armadas.
Já no Brasil, sem uma guerra de independência, um Congresso e um George Washington, a decisão cerebral de FHC teve um período de maturação de cinco ministros no cargo da Defesa, até que Nelson Jobim surgir no cenário, vindo do mais alto posto da justiça. Conforme iremos ver adiante, a maturação continua.
De cara Jobim enfrenta o caos, a má fé e a incompetência na aviação civil, tanto nas obras aeroportuárias quanto nos maiores acidentes aéreos de nossa história. O Ministério da Defesa fora criado mas a aeronáutica civil estava a matroca, com graves insubordinações na equipe que deveria zelar pela segurança do tráfego aéreo e falta de competência na gestão de sua estrutura. Medidas enérgicas foram tomadas, no meio de protestos da imprensa e das empresas de transporte aéreo; o tempo veio provar que os principais focos do caos tinham sido debelados, tanto no governo quanto nas empresas privadas.
Com os militares fora do poder, as Forças Armadas brasileiras foram tratadas, ou melhor, destratadas por uma série de governos, como algo imprestável, desnecessário, descartável, com sentimentos de vingança talvez enrustidos por 21 anos de arbitrariedades militares. Na verdade, o observador mais atento e tecnicamente preparado, observa há anos que o conceito de defesa nacional não permeou no poder civil, até junto a seus profissionais mais sofisticados, como FHC, que fez declarações no mínimo desastradas. Criou-se o conceito de poder civil decidir assuntos estratégicos, mas nossos civis ainda amadurecem, ainda não chegaram lá.
O programa nuclear da Marinha, incluindo a construção do submarino nuclear e a obtenção do combustível nuclear, de importância estratégica fundamental, foi abandonado às moscas, sendo tocado por anos com migalhas por dedicados e abnegados oficiais da Marinha. Os políticos de Brasília ainda não compreenderam o que seja "importância estratégica fundamental". Sentimentos de vingança enrustidos ?
Na Força Aérea, a visão de alguns oficiais como Casimiro Montenegro, no ano de 1943 com a II Guerra virando a favor dos aliados, conceberam bem antes de seus colegas da Marinha, a necessidade do domínio estratégico para desenvolver uma força eficaz. Assim construíram a partir do ITA a Embraer a qual deu bons aviões de treinamento subsônicos, turbo-hélices eletronicamente avançados. Ao mesmo tempo se cortou em Brasilia a verba do combustível e o resto da frota envelheceu nos hangares, os oficiais voadores cada vez voando menos. Assim constituiu-se numa crescente fonte de acidentes e mortes. Eram os caixões voadores da FAB e o Boeing quadrireator que servia a Presidência rotulou-se como "Sucatinha". Você que está leu este texto até aqui, voaria num "sucatinha" ?
No Exército o sucateamento implicava no enguiço no meio da estrada dos veículos militares que ainda conseguiam sair para a rua. Se nem os aviões que caiam e matavam eram notícia na imprensa, os tanques e caminhões blindados enguiçados e rebocados na estrada muito menos.
Este conjunto inoperante de terra, mar e ar foi o Ministério da Defesa que o abnegado Ministro Nelson Jobim herdou. E desde então no âmbito interno das Forças Armadas, pela primeira vez, as três armas se juntam e falam em alto nível das necessidades estratégicas do Brasil de forma coerente e planos vão sendo desenvolvidos. Espera-se que em algum momento o Poder Civil amadureça para o exercício de seu cargo.
Outro tópico atual é a escolha do caça supersônico denominado FX-2. Até agora o assunto vem sendo tratado de forma sigilosa e talvez desastrada, pois o conceito operacional do novo ministério ainda não alcançou todas partes envolvidas. Relembrando o conceito norte-americano, o pai da criança com quem estamos tentando nos envolver: “os militares aconselham e a liderança civil decide”. Há cinco anos eram cinco os países participantes na concorrência misteriosamente reduzidos a três.
Houve uma confusão no meio do campo e o Presidente optou por um dos países antes dos militares aconselharem, ou então toda esta história foi mal contada, em prejuízo dos militares que estão proibidos de se manifestar.
Um general quatro estrelas, que perdeu a paciência com as declarações recentes e infelizes do ex-ministro da justiça, também perdeu o cargo, numa iniciativa inédita do Poder Civil, parecida em sua forma na exoneração do Comandante do II Exército, em 1975, pelo Presidente da República. Só que na época, o presidente era o General Geisel o qual, como General George Washington, primeiro em 1783, acertou os ponteiros com seus comandados, antes de bater o martelo.
Parece que passamos a ter um Ministério da Defesa onde o Ministro vai fardado para a Amazônia, deixando seus ternos de casemira inglesa no cabide. Isto é um detalhe e decisão dele, que a imprensa de fraldas, saída das Escolas de Comunicação e nada entendendo de defesa, aborda como tema relevante...
Pedro John Meinrath
Engenheiro Aeronáutico
São Paulo, 17 de fevereiro de 2010.
domingo, 7 de março de 2010
2010 será o ano da escolha entre o certo e o errado
A divulgação do Programa Nacional de Direitos Humanos confirmou que a eleição de 2010 será mesmo plebiscitária. O Brasil que pensa entendeu que terá de escolher entre a democracia representativa e o stalinismo farofeiro, entre a liberdade e o autoritarismo , entre o mundo civilizado e as cavernas onde conspiram os pastores do atraso.
A reportagem de capa da edição de VEJA, outra reafirmação do mergulho sem volta do PT no pântano, é a prova definitiva de que o desejo de Lula (”Gostaria que fosse nós contra eles, olho no olho”) será atendido. O governador José Serra é um homem sem prontuário. Basta que vire ostensivamente as costas aos pecadores do PSDB e do DEM ─ uma tribo diminuta se confrontada com a imensidão de companheiros fora-da-lei ─ para que os eleitores entendam que estarão escolhendo entre a honestidade e a roubalheira, entre a honradez e a corrupção.
Serra vencerá se compreender que a oposição brasileira é muito maior, mais tenaz, mais corajosa e mais combativa que a oposição formal. Ele precisa ser mais que o candidato de uma aliança partidária assustadiça, excessivamente cautelosa. Tem de transformar-se no porta-voz do Brasil decente, que não teme porque não deve, que respeita a lei e exige que todos sejam obrigados a respeitá-la, que lutou pela restauração do regime democrático e dele não admite abrir mão.
“A oposição não tem programa, a Dilma tem”, vangloriou-se em Cuba o ministro Franklin Martins, ainda com o olhar de quem viu o homem que quer ser quando crescer. “Qual é programa do Serra?” O candidato do PSDB acha que ainda é cedo para apresentar um plano de governo. Mas já passou da hora de apanhar a luva atirada por Lula, aceitar o repto lançado por Franklin e desfraldar o quanto antes as duas bandeiras que o PT jogou no lixo. O partido que reivindicava o monopólio da ética caiu na vida. O partido que se fingia de libertário ama Fidel Castro e flerta com Hugo Chávez.
Serra, ex-militante da Ação Popular, converteu-se num genuíno democrata. Dilma jamais renegou o script de coadjuvante da Polop e Var-Palmares, organizações comunistas que recorreram à luta armada para substituir a ditadura militar pela ditadura do proletariado. Serra não tem contas a acertar com a Justiça. Dilma foi escolhida por um presidente que acoberta todos os delinquentes de estimação, é candidata pelo partido do mensalão e entregou a coordenação da campanha a José Dirceu.
Só faltava Delúbio Soares. A reportagem de VEJA mostrou que não falta mais nada: João Vaccari, o novo tesoureiro da direção nacional do PT, é um Delúbio piorado. A sucessão presidencial de 2010 não passará ao largo de critérios políticos e morais. Eleger Dilma Rousseff é entregar o poder aos carrascos da liberdade. É entregar a chave do cofre à bandidagem que, por ter perdido de vez o medo do xerife, já nem usa lenço para esconder o rosto.
Augusto Nunes, 07/03/2010
A reportagem de capa da edição de VEJA, outra reafirmação do mergulho sem volta do PT no pântano, é a prova definitiva de que o desejo de Lula (”Gostaria que fosse nós contra eles, olho no olho”) será atendido. O governador José Serra é um homem sem prontuário. Basta que vire ostensivamente as costas aos pecadores do PSDB e do DEM ─ uma tribo diminuta se confrontada com a imensidão de companheiros fora-da-lei ─ para que os eleitores entendam que estarão escolhendo entre a honestidade e a roubalheira, entre a honradez e a corrupção.
Serra vencerá se compreender que a oposição brasileira é muito maior, mais tenaz, mais corajosa e mais combativa que a oposição formal. Ele precisa ser mais que o candidato de uma aliança partidária assustadiça, excessivamente cautelosa. Tem de transformar-se no porta-voz do Brasil decente, que não teme porque não deve, que respeita a lei e exige que todos sejam obrigados a respeitá-la, que lutou pela restauração do regime democrático e dele não admite abrir mão.
“A oposição não tem programa, a Dilma tem”, vangloriou-se em Cuba o ministro Franklin Martins, ainda com o olhar de quem viu o homem que quer ser quando crescer. “Qual é programa do Serra?” O candidato do PSDB acha que ainda é cedo para apresentar um plano de governo. Mas já passou da hora de apanhar a luva atirada por Lula, aceitar o repto lançado por Franklin e desfraldar o quanto antes as duas bandeiras que o PT jogou no lixo. O partido que reivindicava o monopólio da ética caiu na vida. O partido que se fingia de libertário ama Fidel Castro e flerta com Hugo Chávez.
Serra, ex-militante da Ação Popular, converteu-se num genuíno democrata. Dilma jamais renegou o script de coadjuvante da Polop e Var-Palmares, organizações comunistas que recorreram à luta armada para substituir a ditadura militar pela ditadura do proletariado. Serra não tem contas a acertar com a Justiça. Dilma foi escolhida por um presidente que acoberta todos os delinquentes de estimação, é candidata pelo partido do mensalão e entregou a coordenação da campanha a José Dirceu.
Só faltava Delúbio Soares. A reportagem de VEJA mostrou que não falta mais nada: João Vaccari, o novo tesoureiro da direção nacional do PT, é um Delúbio piorado. A sucessão presidencial de 2010 não passará ao largo de critérios políticos e morais. Eleger Dilma Rousseff é entregar o poder aos carrascos da liberdade. É entregar a chave do cofre à bandidagem que, por ter perdido de vez o medo do xerife, já nem usa lenço para esconder o rosto.
Augusto Nunes, 07/03/2010
sábado, 6 de março de 2010
A Raiz de Todo o Mal
Recentemente o estado de Mato Grosso nos brindou com mais um exemplo dos tantos que nos deixam "perplexos" nestes tempos tristes que vivemos: 10 magistrados, entre juizes e desembargadores, foram condenados por desviarem dinheiro do tribunal de justiça do estado para uma loja maçônica à qual estavam vinculados.
São tantos os absurdos deste caso que vale a pena pensar um pouco mais sobre a questão.
Em primeiro lugar o óbvio do óbvio: como aceitar o crime por parte dos guardiões da justiça? Não podemos aceitar, de forma alguma, que juízes e desembargadores aleguem desconhecer as leis, já que seu trabalho é interpretá-las. E menos ainda sermos tolerantes com esses criminosos, já que, mais do que qualquer outro meliante, eles sabiam muito bem o que faziam e os riscos envolvidos.
Então, aqui há um primeiro absurdo: considerá-los réus primários como qualquer outro pobre coitado que rouba um pote de margarina ou filão de pão, já que, ainda que não se saiba de outros crimes dessa “quadrilha”, eles não podem ser chamados de “primários” por serem todos magistrados, ou seja, os defensores das leis.
Tratar diferentes como iguais é tão absurdo como tratar iguais diferentemente. A posição privilegiada destes senhores perante as leis deveria fazer com que seu tratamento fosse mais severo do que o de outros infratores, o que, infelizmente, não é o caso.
Isso posto, vamos agora examinar o segundo – e maior – absurdo deste triste incidente.
Comprovada a culpa, todos sofreram a pena máxima a que estão sujeitos: aposentadoria compulsória com direito a plenos vencimentos!
Deus do céu, desde quando isso é punição?
Gostaria que alguém me provasse como ficar em casa, de papo para o ar, recebendo mais de vinte mil reais por mês para não fazer nada é uma punição. Para a maioria de nós isso seria um prêmio, seria ganhar na loteria. Como é que isso é uma punição exemplar e terrível no caso de um magistrado?
A conclusão terrível é que eles estão deixando de ganhar algo muito bom com esse castigo, e então cabe a pergunta: o que estariam ganhando? O que seria isso que lhes foi tirado? Que saibamos os magistrados recebem apenas salários, então qual seria o "por fora" que perderam? Seriam “agrados” para favorecer a este ou aquele lado em uma decisão? Por favor, que isso seja trazido a público!
A situação, como vemos, é absurda.
Mas mais absurdo é o fato de que esse tema tenha desaparecido dos meios de comunicação e que a população não tenha se indignado ou exigido mudanças. Há um silêncio ensurdecedor sobre o caso, como sempre ocorre quando o crime está no judiciário, como se vivêssemos uma conspiração do silêncio.
Tudo, ao que parece, para impedir uma reflexão mais profunda sobre os privilégios inadmissíveis dados aos magistrados, e ao tratamento mais do que especial que eles mesmos se conferem, acima das leis, acima dos demais mortais, de uma forma que não pode mais existir em nossa sociedade.
As leis existem para impedir comportamentos que não são aceitos pela sociedade com um todo. O medo do castigo faz com que elas sejam cumpridas.
Agora, se o castigo é um prêmio, quem irá se importar com ele?
Aí está a origem de todos os nossos problemas, de toda a corrupção e impunidade.
Se um juiz não pode ser realmente punido, por que será honesto?
Lógico que os próprios dirão que seguem padrões morais, ou falarão que são isso ou aquilo, mas a verdade é que são seres humanos, exatamente como todos os demais.
E se nenhuma profissão é composta apenas de pessoas honestas ou desonestas, isso vale também para a magistratura.
Por que, então, aceitar que seus membros não sejam sujeitos a viver pelas mesmas leis que servem para todos os demais membros de nossa sociedade?
Por que deixar que os seus membros sejam tratados como seres especiais, isentos de punições reais e livres para viverem à margem da lei?
E pior, vitalícios em seus cargos!
Coloquemos aí a nomeação política de empregados para as cortes supremas e teremos a receita para o autoritarismo.
Senão, qual é a explicação para um TSE que faz de conta que campanha antecipada não existe? Para cortes que favorecem gente como os Sarneys? E para todo o resto que já conhecemos.
Um Brasil para todos, onde o artigo 5° da constituição seja para valer só existirá quando tivermos uma ampla e profunda reforma do judiciário.
Chega de impunidade, a começar pelos magistrados!
São tantos os absurdos deste caso que vale a pena pensar um pouco mais sobre a questão.
Em primeiro lugar o óbvio do óbvio: como aceitar o crime por parte dos guardiões da justiça? Não podemos aceitar, de forma alguma, que juízes e desembargadores aleguem desconhecer as leis, já que seu trabalho é interpretá-las. E menos ainda sermos tolerantes com esses criminosos, já que, mais do que qualquer outro meliante, eles sabiam muito bem o que faziam e os riscos envolvidos.
Então, aqui há um primeiro absurdo: considerá-los réus primários como qualquer outro pobre coitado que rouba um pote de margarina ou filão de pão, já que, ainda que não se saiba de outros crimes dessa “quadrilha”, eles não podem ser chamados de “primários” por serem todos magistrados, ou seja, os defensores das leis.
Tratar diferentes como iguais é tão absurdo como tratar iguais diferentemente. A posição privilegiada destes senhores perante as leis deveria fazer com que seu tratamento fosse mais severo do que o de outros infratores, o que, infelizmente, não é o caso.
Isso posto, vamos agora examinar o segundo – e maior – absurdo deste triste incidente.
Comprovada a culpa, todos sofreram a pena máxima a que estão sujeitos: aposentadoria compulsória com direito a plenos vencimentos!
Deus do céu, desde quando isso é punição?
Gostaria que alguém me provasse como ficar em casa, de papo para o ar, recebendo mais de vinte mil reais por mês para não fazer nada é uma punição. Para a maioria de nós isso seria um prêmio, seria ganhar na loteria. Como é que isso é uma punição exemplar e terrível no caso de um magistrado?
A conclusão terrível é que eles estão deixando de ganhar algo muito bom com esse castigo, e então cabe a pergunta: o que estariam ganhando? O que seria isso que lhes foi tirado? Que saibamos os magistrados recebem apenas salários, então qual seria o "por fora" que perderam? Seriam “agrados” para favorecer a este ou aquele lado em uma decisão? Por favor, que isso seja trazido a público!
A situação, como vemos, é absurda.
Mas mais absurdo é o fato de que esse tema tenha desaparecido dos meios de comunicação e que a população não tenha se indignado ou exigido mudanças. Há um silêncio ensurdecedor sobre o caso, como sempre ocorre quando o crime está no judiciário, como se vivêssemos uma conspiração do silêncio.
Tudo, ao que parece, para impedir uma reflexão mais profunda sobre os privilégios inadmissíveis dados aos magistrados, e ao tratamento mais do que especial que eles mesmos se conferem, acima das leis, acima dos demais mortais, de uma forma que não pode mais existir em nossa sociedade.
As leis existem para impedir comportamentos que não são aceitos pela sociedade com um todo. O medo do castigo faz com que elas sejam cumpridas.
Agora, se o castigo é um prêmio, quem irá se importar com ele?
Aí está a origem de todos os nossos problemas, de toda a corrupção e impunidade.
Se um juiz não pode ser realmente punido, por que será honesto?
Lógico que os próprios dirão que seguem padrões morais, ou falarão que são isso ou aquilo, mas a verdade é que são seres humanos, exatamente como todos os demais.
E se nenhuma profissão é composta apenas de pessoas honestas ou desonestas, isso vale também para a magistratura.
Por que, então, aceitar que seus membros não sejam sujeitos a viver pelas mesmas leis que servem para todos os demais membros de nossa sociedade?
Por que deixar que os seus membros sejam tratados como seres especiais, isentos de punições reais e livres para viverem à margem da lei?
E pior, vitalícios em seus cargos!
Coloquemos aí a nomeação política de empregados para as cortes supremas e teremos a receita para o autoritarismo.
Senão, qual é a explicação para um TSE que faz de conta que campanha antecipada não existe? Para cortes que favorecem gente como os Sarneys? E para todo o resto que já conhecemos.
Um Brasil para todos, onde o artigo 5° da constituição seja para valer só existirá quando tivermos uma ampla e profunda reforma do judiciário.
Chega de impunidade, a começar pelos magistrados!
quinta-feira, 4 de março de 2010
A opinião do Casseta sobre a censura
Em entrevista à TV Estadão. Marcelo Madureira do Casseta e Planeta fala que este governo foi o único em 25 anos que mandou "recadinhos" a eles reclamando do tom do programa. VEJA AQUI
terça-feira, 2 de março de 2010
Do blog do Josias de Souza (FSP)
O governo maquiou os balanços oficiais do PAC com o propósito de esconder atrasos na execução das obras
13. Não é só: além de pintar, o governo passou o bisturi em algumas obras, fatiando-as. Com isso, manteve o prazo de entrega de pedaços de empreendimentos que, tomados por inteiro, atrasariam além do desejável.
15. Há pior: algumas das ações que, por atrasadas, enfeiavam o balanço foram passadas na borracha. Sumiram em levantamentos seguintes.
Deve-se a revelação aos repórteres Eduardo Scolese e Ranier Bragon. Em notícia levada às páginas da Folha, a dupla informa:
“Três de cada quatro ações destacadas no primeiro balanço do PAC não foram cumpridas no prazo original”.
Para encobrir o problema, recorreu-se à maquiagem. Vão abaixo os detalhes que evidenciam a manobra:
1. Gestora do PAC, a ministra-candidata Dilma Rousseff reuniu os jornalistas, no início de fevereiro, para divulgar o balanço de três anos do programa.
2. Sob holofotes, a “mãe do PAC” anunciara que 40% das ações previstas no programa já haviam sido cumpridas.
3. Nas principais obras, a taxa de conclusão era, segundo a chefe da Casa Civil, de 36%.
4. Para corroborar as palavras da ministra, o Planalto distribuíra aos repórteres um documento em que a lista de obras é adornada por ilustrações.
5. Ao lado de cada empreendimento, três vocábulos traduziam o estágio em que se encontravam os canteiros de obras.
6. Para a maioria das obras mais relevantes do PAC, utilizou-se um carimbo verde: “Adequado”.
7. Os carimbos em amarelo –“Atenção”—e em vermelho –“Preocupante”— figuram no levantamento oficial como escassas exceções.
8. Os repórteres compararam esse levantamento de fevereiro ao balanço inaugural do PAC, que Dilma fizera em maio de 2007.
9. Confrontaram os dados também com os indicadores apresentados nos oito balanços que se seguiram ao primeiro.
10. Descobriram: muitas das obras que aparecem no balanço mais recente com o carimbo verde passaram por uma revisão de metas.
11. Os prazos de conclusão foram dilatados. Parte das obras, cuja conclusão fora prevista ainda para a era Lula, simplesmente foram jogadas para a próxima gestão.
12. O governo lançou mão do pa©osmético sem mencionar, de um balanço a outro, que ajeitava com ruge e batom a face do programa.
13. Não é só: além de pintar, o governo passou o bisturi em algumas obras, fatiando-as. Com isso, manteve o prazo de entrega de pedaços de empreendimentos que, tomados por inteiro, atrasariam além do desejável.14. Há mais: numa das obras que teve preservado o prazo de entrega trocou-se o objeto: em vez da conclusão da obra, a meta passou a ser a "entrega do projeto".
15. Há pior: algumas das ações que, por atrasadas, enfeiavam o balanço foram passadas na borracha. Sumiram em levantamentos seguintes.
16. O primeiro balanço do PAC, aquele de maio de 2007, cobria o primeiro quadrimestre do progama –de janeiro a abril daquele ano.
17. O texto classificava como grandes 76 obras. Comparando-se esse levantamento com os posteriores, sobretudo o último, verifica-se:
18. Nada menos que 75% das grandes obras (57) padecem de atraso no cronograma. Onze foram empurradas para dentro da próxima gestão, a ser inaugurado em 2011.
19. Desses 57 empreendimentos atrasados, 38 ainda estão em andamento. Ganharam novos cronogramas.
20. O atraso médio é de um ano e meio em relação ao que fora prometido em 2007.
21. Significa dizer que que essas 38 obras deveriam figurar no último balanço trazido à luz por Dilma com carimbos amarelos ou vermelhos. Porém...
22. Porém, apenas 16% delas figuram na peça acompanhadas das inscrições “Atenção” e “Preocupante”. As demais foram brindadas com sombra verde: “adequado”.
No último dia 20 de fevereiro, ao discursar no Congresso petista que aclamou Dilma como presidenciável oficial, Lula dissera:
"Posso dizer que nunca antes na história do país houve programa de investimento em infraestrutura tão organizado, tão discutido e tão planejado como nós fizemos o PAC".
Considerando-se a checagem de Scolese e Bragon, Lula talvez estivesse falando de outro PAC, até aqui insuspeitado: o Programa de Aceleração do Cosmético.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
O discurso que é uma lição aos dinossauros do socialismo
MAGNÍFICA LEITURA ESTE DEPOIMENTO DO PRESIDENTE DA COSTA RICA. MERECE SER LIDO E REPENSADO.
Discurso proferido na presença do Lula e demais presidentes latino-americanos, incluído o “manequim” do Equador, o caloteiro Corrêa, abaixo nominalmente citado.
——————————————————————————–
“ALGO HICIMOS MAL”
Palavras do Presidente Oscar Arias da Costa Rica na Cúpula das Américas em Trinidad e Tobago, 18 de abril de 2009
“Tenho a impressão de que cada vez que os países caribenhos e latino-americanos se reúnem com o presidente dos Estados Unidos da América, é para pedir-lhe coisas ou para reclamar coisas. Quase sempre, é para culpar os Estados Unidos de nossos males passados, presentes e futuros.
Não creio que isso seja de todo justo.
Não podemos esquecer que a América Latina teve universidades antes que os Estados Unidos criassem Harvard e William & Mary, que são as primeiras universidades desse país.
Não podemos esquecer que nesse continente, como no mundo inteiro, pelo menos até 1750 todos os americanos eram mais ou menos iguais: todos eram pobres.
Ao aparecer a Revolução Industrial na Inglaterra,outros países sobem nesse vagão: Alemanha, França, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e aqui a Revolução Industrial passou pela América Latina como um cometa, e não nos demos conta.
Certamente perdemos a oportunidade.
Há também uma diferença muito grande. Lendo a história da América Latina, comparada com a história dos Estados Unidos,compreende-se que a América Latina não teve um John Winthrop espanhol, nem português, que viesse com a Bíblia em sua mão disposto a construir uma Cidade sobre uma Colina, uma cidade que brilhasse, como foi a pretensão dos peregrinos que chegaram aos Estados Unidos.
Faz 50 anos, o México era mais rico que Portugal. Em 1950, um país como o Brasil tinha uma renda per capita mais elevada que o da Coréia do Sul.
Faz 60 anos, Honduras tinha mais riqueza per capita que Cingapura, e hoje Cingapura em questão de 35 a 40 anos é umpaís com $40.000 de renda anual por habitante. Bem, algo nós fizemos mal, os latino-americanos.
Que fizemos errado? Nem posso enumerar todas as coisas que fizemos mal.
Para começar, temos uma escolaridade de 7 anos.
Essa é a escolaridade média da América Latina e não é o caso da maioria dos países asiáticos. Certamente não é o caso de países como Estados Unidos e Canadá, com a melhor educação do mundo, similar a dos europeus.
De cada 10 estudantes que ingressam no nível secundário na América Latina, em alguns países, só um termina esse nível secundário.
Há países que têm uma mortalidade infantil de 50 crianças por cada mil, quando a média nos países asiáticos mais avançados é de 8, 9 ou 10.
Nós temos países onde a carga tributária é de 12% do produto interno bruto e não é responsabilidade de ninguém, exceto nossa, que não cobremos dinheiro das pessoas mais ricas dos nossos países. Ninguém tem a culpa disso, a não ser nós mesmos.
Em 1950, cada cidadão norte-americano era quatro vezes mais rico que um cidadão latino-americano. Hoje em dia, um cidadão norte-americano é 10, 15 ou 20 vezes mais rico que um latino-americano. Isso não é culpa dos Estados Unidos, é culpa nossa.
No meu pronunciamento me referi a um fato que para mim é grotesco e que somente demonstra que o sistema de valores do século XX, que parece ser o que estamos pondo em prática também no século XXI, é um sistema de valores equivocado.
Porque não pode ser que o mundo rico dedique 100.000 milhões de dólares para aliviar a pobreza dos 80% da população do mundo “num planeta que tem 2.500 bilhões de seres humanos com uma renda de $2 por dia” e que gaste 13 vezes mais ($1.300.000. 000.000) em armas e soldados.
Como disse esta manhã, não pode ser que a América Latina gaste $50.000* milhões em armas e soldados.
Eu me pergunto: quem é o nosso inimigo?
Nosso inimigo, presidente Correa, desta desigualdade que o Sr. aponta com muita razão, é a falta de educação; é o analfabetismo; é que não gastamos na saúde de nosso povo; que não criamos a infra-estruturar necessária, as estradas, os portos, os aeroportos; que não estamos dedicando os recursos necessários para deter a degradação do meio ambiente; é a desigualdade que temos que nos envergonhar realmente; é produto, entre muitas outras coisas, de que não estamos educando nossos filhos e nossas filhas.
Vá alguém a uma universidade latino-americana e parece no entanto que estamos nos sessenta, setenta ou oitenta.
Parece que nos esquecemos de que em 9 de novembro de 1989 aconteceu algo de muito importante, ao cair o Muro de Berlim, e que o mundo mudou. Temos que aceitar que este é um mundo diferente, e nisso francamente penso que os acadêmicos, que toda gente pensante, que todos os economistas, que todos os historiadores, quase concordam que o século XXI é um século dos asiáticos não dos latino-americanos.
E eu, lamentavelmente, concordo com eles. Porque enquanto nós continuamos discutindo sobre ideologias, continuamos discutindo sobre todos os “ismos” (qual é o melhor? capitalismo, socialismo, comunismo, liberalismo, neoliberalismo, socialcristianismo. ..) os asiáticos encontraram um “ismo” muito realista para o século XXI e o final do século XX, que é o pragmatismo.
Para só citar um exemplo, recordemos que quando Deng Xiaoping visitou Cingapura e a Coréia do Sul, depois de ter-se dado conta de que seus próprios vizinhos estavam enriquecendo de uma maneira muito acelerada, regressou a Pequim e disse aos velhos camaradas maoístas que o haviam acompanhado na
Grande Marcha: “Bem, a verdade, queridos camaradas, é que a mim não importa se o gato é branco ou negro, só o que me interessa é que cace ratos”.
E se Mao estivesse vivo, teria morrido de novo quando disse que “a verdade é que enriquecer é glorioso”.
E enquanto os chineses fazem isso, e desde 1979 até hoje crescem a 11%, 12% ou 13%, e tiraram 300 milhões de habitantes da pobreza, nós continuamos discutindo sobre ideologias que devíamos ter enterrado há muito tempo atrás.
A boa notícia é que isto Deng Xiaoping o conseguiu quando tinha 74 anos.
Olhando em volta, queridos presidentes, não vejo ninguém que esteja perto dos 74 anos. Por isso só lhes peço que não esperemos completá-los para fazer as mudanças que temos que fazer.
Muchas gracias.”
Discurso proferido na presença do Lula e demais presidentes latino-americanos, incluído o “manequim” do Equador, o caloteiro Corrêa, abaixo nominalmente citado.
——————————————————————————–
“ALGO HICIMOS MAL”
Palavras do Presidente Oscar Arias da Costa Rica na Cúpula das Américas em Trinidad e Tobago, 18 de abril de 2009
“Tenho a impressão de que cada vez que os países caribenhos e latino-americanos se reúnem com o presidente dos Estados Unidos da América, é para pedir-lhe coisas ou para reclamar coisas. Quase sempre, é para culpar os Estados Unidos de nossos males passados, presentes e futuros.
Não creio que isso seja de todo justo.
Não podemos esquecer que a América Latina teve universidades antes que os Estados Unidos criassem Harvard e William & Mary, que são as primeiras universidades desse país.
Não podemos esquecer que nesse continente, como no mundo inteiro, pelo menos até 1750 todos os americanos eram mais ou menos iguais: todos eram pobres.
Ao aparecer a Revolução Industrial na Inglaterra,outros países sobem nesse vagão: Alemanha, França, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e aqui a Revolução Industrial passou pela América Latina como um cometa, e não nos demos conta.
Certamente perdemos a oportunidade.
Há também uma diferença muito grande. Lendo a história da América Latina, comparada com a história dos Estados Unidos,compreende-se que a América Latina não teve um John Winthrop espanhol, nem português, que viesse com a Bíblia em sua mão disposto a construir uma Cidade sobre uma Colina, uma cidade que brilhasse, como foi a pretensão dos peregrinos que chegaram aos Estados Unidos.
Faz 50 anos, o México era mais rico que Portugal. Em 1950, um país como o Brasil tinha uma renda per capita mais elevada que o da Coréia do Sul.
Faz 60 anos, Honduras tinha mais riqueza per capita que Cingapura, e hoje Cingapura em questão de 35 a 40 anos é umpaís com $40.000 de renda anual por habitante. Bem, algo nós fizemos mal, os latino-americanos.
Que fizemos errado? Nem posso enumerar todas as coisas que fizemos mal.
Para começar, temos uma escolaridade de 7 anos.
Essa é a escolaridade média da América Latina e não é o caso da maioria dos países asiáticos. Certamente não é o caso de países como Estados Unidos e Canadá, com a melhor educação do mundo, similar a dos europeus.
De cada 10 estudantes que ingressam no nível secundário na América Latina, em alguns países, só um termina esse nível secundário.
Há países que têm uma mortalidade infantil de 50 crianças por cada mil, quando a média nos países asiáticos mais avançados é de 8, 9 ou 10.
Nós temos países onde a carga tributária é de 12% do produto interno bruto e não é responsabilidade de ninguém, exceto nossa, que não cobremos dinheiro das pessoas mais ricas dos nossos países. Ninguém tem a culpa disso, a não ser nós mesmos.
Em 1950, cada cidadão norte-americano era quatro vezes mais rico que um cidadão latino-americano. Hoje em dia, um cidadão norte-americano é 10, 15 ou 20 vezes mais rico que um latino-americano. Isso não é culpa dos Estados Unidos, é culpa nossa.
No meu pronunciamento me referi a um fato que para mim é grotesco e que somente demonstra que o sistema de valores do século XX, que parece ser o que estamos pondo em prática também no século XXI, é um sistema de valores equivocado.
Porque não pode ser que o mundo rico dedique 100.000 milhões de dólares para aliviar a pobreza dos 80% da população do mundo “num planeta que tem 2.500 bilhões de seres humanos com uma renda de $2 por dia” e que gaste 13 vezes mais ($1.300.000. 000.000) em armas e soldados.
Como disse esta manhã, não pode ser que a América Latina gaste $50.000* milhões em armas e soldados.
Eu me pergunto: quem é o nosso inimigo?
Nosso inimigo, presidente Correa, desta desigualdade que o Sr. aponta com muita razão, é a falta de educação; é o analfabetismo; é que não gastamos na saúde de nosso povo; que não criamos a infra-estruturar necessária, as estradas, os portos, os aeroportos; que não estamos dedicando os recursos necessários para deter a degradação do meio ambiente; é a desigualdade que temos que nos envergonhar realmente; é produto, entre muitas outras coisas, de que não estamos educando nossos filhos e nossas filhas.
Vá alguém a uma universidade latino-americana e parece no entanto que estamos nos sessenta, setenta ou oitenta.
Parece que nos esquecemos de que em 9 de novembro de 1989 aconteceu algo de muito importante, ao cair o Muro de Berlim, e que o mundo mudou. Temos que aceitar que este é um mundo diferente, e nisso francamente penso que os acadêmicos, que toda gente pensante, que todos os economistas, que todos os historiadores, quase concordam que o século XXI é um século dos asiáticos não dos latino-americanos.
E eu, lamentavelmente, concordo com eles. Porque enquanto nós continuamos discutindo sobre ideologias, continuamos discutindo sobre todos os “ismos” (qual é o melhor? capitalismo, socialismo, comunismo, liberalismo, neoliberalismo, socialcristianismo. ..) os asiáticos encontraram um “ismo” muito realista para o século XXI e o final do século XX, que é o pragmatismo.
Para só citar um exemplo, recordemos que quando Deng Xiaoping visitou Cingapura e a Coréia do Sul, depois de ter-se dado conta de que seus próprios vizinhos estavam enriquecendo de uma maneira muito acelerada, regressou a Pequim e disse aos velhos camaradas maoístas que o haviam acompanhado na
Grande Marcha: “Bem, a verdade, queridos camaradas, é que a mim não importa se o gato é branco ou negro, só o que me interessa é que cace ratos”.
E se Mao estivesse vivo, teria morrido de novo quando disse que “a verdade é que enriquecer é glorioso”.
E enquanto os chineses fazem isso, e desde 1979 até hoje crescem a 11%, 12% ou 13%, e tiraram 300 milhões de habitantes da pobreza, nós continuamos discutindo sobre ideologias que devíamos ter enterrado há muito tempo atrás.
A boa notícia é que isto Deng Xiaoping o conseguiu quando tinha 74 anos.
Olhando em volta, queridos presidentes, não vejo ninguém que esteja perto dos 74 anos. Por isso só lhes peço que não esperemos completá-los para fazer as mudanças que temos que fazer.
Muchas gracias.”
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Carta aos brasileiros-Revisão “A”
Lula copiou o que havia de bom no governo anterior ao dele e hoje está aí por cima da carne seca. Para se eleger em 2002, teve que publicar uma Carta aos Brasileiros desmentindo tudo que havia dito até então.Assim, permito-me copiar a sua carta, adaptar e transformá-la numa verdadeira Carta aos Brasileiros que só pode ser implantada na sua íntegra por alguém competente e responsável como é José Serra.
Segue abaixo:
"O Brasil cresceu e quer continuar crescendo. Para continuar crescendo, incluir mais gente, pacificar as diferenças regionais que ainda persistem e foram incentivadas pelo atual governo. Crescer mais para consolidar o desenvolvimento econômico que hoje alcançamos e a justiça social onde ainda há tanto por fazer. Há em nosso país uma poderosa vontade popular de encerrar o atual ciclo político de corrupção e alianças espúrias.
Se em algum momento, ao longo desta década, a forma atual de governar conseguiu despertar esperanças de progresso econômico e social, hoje a decepção com os seus resultados é visível. Oito anos depois, o povo brasileiro faz o balanço e verifica que salvo um relativo crescimento econômico e um relativo avanço social, promessas fundamentais não foram cumpridas e as esperanças frustradas.
Nosso povo constata com pesar e indignação que embora a economia tenha crescido, continua vulnerável aos malfeitos públicos, não há planos consistentes de desenvolvimento sustentado, a corrupção continua alta, a desigualdade social persiste, o meio ambiente nunca foi tão agredido e, principalmente, a insegurança permanece assustadora.
O sentimento predominante em todas as classes e em todas as regiões é o de que o atual modelo caso continue neste pacto perverso entre os que se dizem progressistas e os tradicionais coronéis vendilhões da pátria, levará o país novamente à situação dos anos 80, a chamada década perdida. Por isso, o país não pode insistir nesse caminho, sob pena de continuar numa gangorra entre crescimento e estagnação ou até mesmo de sofrer, mais cedo ou mais tarde, um colapso econômico, social e moral.
O mais importante, no entanto, é que essa percepção aguda do caminho da atual forma de governar não está conduzindo ao desânimo, ao negativismo, nem ao protesto destrutivo. Ao contrário: apesar de todo o sofrimento injusto e desnecessário que grande parcela da população ainda é obrigada a suportar, enxergamos esperança de melhorias, crença nas possibilidades do país, a população continua disposta a apoiar e a sustentar um projeto nacional, que faça com que o Brasil continue crescendo, gerando empregos, reduzindo efetivamente a criminalidade, porém com seriedade e sustentabilidade sociale ambiental para manter nossa presença soberana e respeitada no mundo.
A sociedade está convencida de que o Brasil apesar de melhorar nos últimos 16 anos, ainda continua vulnerável e de que uma real estabilidade precisa ser consolidada por meio de corajosas e cuidadosas mudanças que os responsáveis pelo atual governo não querem absolutamente fazer. As pesquisas demonstram desde o ano passado que uma maioria consistente apoia o candidato de oposição e essa preferência mostra ainda um desapontamento com os resultados e um desejo de aperfeiçoamento dos rumos do país.
A continuada adesão à nossa candidatura em todos os cantos do país demonstra ao longo do tempo o caráter de um movimento em defesa da melhoria da qualidade da forma de governar no Brasil, de nossos direitos e anseios fundamentais enquanto nação independente.
O povo brasileiro quer continuar mudando para valer. Recusa qualquer forma de continuísmo, seja ele assumido ou mascarado. Quer trilhar o caminho da consolidação da nossa economia pelo esforço conjugado de voltar a exportar mais e de não só manter mas aumentar ainda mais o mercado interno de consumo de massas. Quer ampliar o caminho de combinar o incremento da atividade econômica com políticas sociais consistentes e criativas. As reformas estruturais prometidas e não implementadas pelo atual governo que democratizam e modernizam o país, tornando-o mais justo, eficiente e, ao mesmo tempo, mais competitivo no mercado internacional serão desta vez colocadas em prática. Uma reforma tributária, que reduza efetivamente a absurda carga fiscal que se abate sobre os meios de produção e sobre a população de classe média e mais pobre. Uma reforma agrária que assegure definitivamente a paz no campo. Uma redução real de nossas carências energéticas incentivando a produção de energias alternativas e efetivo aumento da produção de petróleo que estagnou ao longo dos últimos 4 anos a ponto de hoje precisarmos importar combustível. A redução efetiva de nosso déficit habitacional tão alardeada pelo atual governo e não efetivada. Uma reforma previdenciária de verdade beneficiando não só mas principalmente os aposentados que foram tão maltratados no atual governo, uma reforma trabalhista que assegure a redução responsável dos encargos trabalhistas permitindo uma geração maior de empregos formais. A manutenção do Bolsa-Família com o aperfeiçoamento da sua gestão evitará desperdícios e desvios de dinheiro que poderão ser revertidos em favor das famílias assistidas através de frentes de trabalho efetivas. Um apoio efetivo aos Estados para garantir de verdade a Segurança Pública.
O PSDB e seus parceiros têm plena consciência de que a melhoria do atual modelo, reclamada por grande parte da sociedade, não será feita de um dia para o outro. Não pretendemos reinventar o país. Não somos adeptos de frases fáceis como “nunca antes neste país”. Queremos sim, aproveitar tudo de bom que foi feito no Brasil desde a sua Independência e contribuir para as melhorias que ainda se fazem necessárias.
Será necessária uma análise criteriosa e responsável entre o que temos hoje e o que ainda falta fazer. O que se deixou de fazer em oito anos não será compensado em oito dias. O nosso plano não será implementado por decreto, de modo voluntarista como por exemplo foram o PAC e o programa de Direitos Humanos cuja aplicação é controversa e criou fissuras na sociedade. Será fruto de um planejamento responsável aliado a ampla negociação nacional, que deve conduzir a efetivos resultados capazes de assegurar a estabilidade e sustentabilidade no crescimento do país.
Premissa básica do nosso plano será naturalmente a manutenção e respeito aos contratos e obrigações do país. A recente crise internacional com crescimento zero do país mostra que ainda nosso modelo é frágil, daí um crescente clamor popular pelo seu aperfeiçoamento.
À parte manobras puramente especulativas, que sem dúvida existem, o que há é uma persistente preocupação do mercado financeiro com o futuro desempenho da economia, gerando temores relativos à futura capacidade de exportação do país, o baixo e persistente investimento efetivo em infraestrutura, o fracasso do PAC que em 4 anos não conseguiu implantar nem 40 % do previsto, a má administração de sua dívida interna que atinge impressionantes 1,5 trilhão de reais, o dobro de 8 anos atrás. É a má qualidade de gastos públicos, a falta de transparência com os gastos em cartões de crédito corporativos, o enorme endividamento público, aumentado em duas vezes no governo Lula da Silva, que preocupa os investidores.
Trata-se de uma desconfiança na futura situação econômica do país, cuja responsabilidade primeira é do atual governo. Por mais que o governo insista, o estatismo exagerado não é panacéia para todos os males. Deve haver um equilíbrio responsável entre Estado e Mercado, entre oferta e procura, senão o dragão da inflação voltará com certeza. Já vimos este filme antes.
Graves distorções estruturais da economia são propostas pelo programa da candidata do governo, como a re-estatização desenfreada de modo totalitário, como o único caminho possível para o Brasil. Na verdade, há diversos países estáveis e competitivos no mundo que adotaram outras alternativas. O Chile por exemplo, adota um modelo equilibrado entre Estado e Capital que o tornou um dos países emergentes que mais se desenvolveram nos últimos 20 anos. Exatamente por isto, o povo chileno optou por um governo mais responsável que não prometeu romper com as políticas anteriores e sim, por melhorá-las ainda mais. Continuidade sem continuísmo.
Não importa a quem a crise inflacionária beneficia ou prejudica eleitoralmente, pois ela prejudica o Brasil. O que importa é que ela precisa ser evitada, pois causará sofrimento irreparável para a maioria da população. Para evitá-la, o equilíbrio entre oferta e procura deve ser mantido. Um estatismo exagerado, como já vimos no Brasil na década de 70, leva à ineficiência e crise de oferta. Da mesma forma, o liberalismo exacerbado, sem agentes de controle do governo.
O Banco Central do atual governo manteve políticas corretas de controle da inflação embora haja ainda ajustes na política de juros que devem ser efetuadas pois continuam atraindo capitais especulativos e voláteis. Os investidores não especulativos, que precisam de horizontes claros, ainda estão intranqüilos. E os especuladores ainda continuam ao nosso redor. A crise internacional ainda não foi superada. Não devemos permanecer tranqüilos com nossa marolinha. Ela pode ainda voltar como tsunami.
Que segurança o governo tem oferecido à sociedade brasileira? Tentou aproveitar-se de programas bombásticos para ganhar votos , desqualifica sistematicamente as oposições, é leniente com as tentativas de cercear a liberdade de imprensa e de opinião,num momento em que é necessário tranqüilidade e compromisso com o Brasil.
Como todos os brasileiros, quero a verdade completa. Não quero meias-verdades. Acredito que o atual governo coloca o país num rumo nebuloso. Lembrem-se todos: em 2002, o então candidato, hoje Presidente, com um discurso radical agravou uma crise que para ser contornada o obrigou a publicar uma Carta aos Brasileiros desmentindo todo seu passado para poder se eleger. Somente com a manutenção efetiva da política econômica vigente é que ele conseguiu superar a crise. Esta minha Carta aos Brasileiros não desmente minhas convicções passadas. Somente as reforça.
Estamos hoje vendo um discurso de volta às posições radicais, atravessando um cenário semelhante ao de antes de 2002. A expectativa da candidata do atual governo de ceder a políticas populistas de crescente estatização sem responsabilidade, de radicalizações políticas ultrapassadas, manutenção da política de juros ainda altos em relação ao restante do mundo que atraem investimentos especulativos, que puxam o dólar artificialmente para baixo e que pune as exportações.O caminho para evitar a volta da fragilidade das finanças públicas é redução de juros a níveis internacionais porém atrativos, aumento e melhoria da qualidade das exportações com desoneração de impostos a ela relacionados e promover uma substituição competitiva de importações no curto prazo, impondo se necessário tarifas contra as importações subsidiadas.
Aqui ganha toda a sua dimensão de uma política dirigida a incentivar ainda mais a valorização do agronegócio e da agricultura familiar como planejado pelo governo do PSDB na década de 90. O cuidado adicional a se tomar é aliar esta política com responsabilidade ambiental. A reforma tributária com efetiva redução de impostos aliada a uma redução dos gastos públicos improdutivos, combate ferrenho à corrupção, os investimentos em infra-estrutura e as fontes de financiamento públicas devem ser canalizadas com absoluta prioridade para gerar divisas. Cada centavo economizado com a redução da corrupção será revertido em favor de políticas sociais e financiamento à saúde e educação. Saibam, brasileiros, que não é pouco dinheiro. Reduzir a corrupção à metade significa dinheiro sobrando para criar mais 5 Bolsas -Família.
Nossa política externa deve ser ampliada para esse imenso desafio de promover nossos interesses comerciais porém com responsabilidade e pragmatismo como sempre se destacou nossa diplomacia. Não devemos apoiar ditaduras irresponsáveis e criminosas e sempre mantermos nossa disposição ao díalogo externo.
Estamos conscientes que sem melhorias na política atual a crise voltará em curto prazo e junto com ela, a inflação, o maior de todos os males. Para evitá-la, o PSDB está disposto a dialogar com todos os segmentos da sociedade e com o próprio governo, de modo a evitar que a crise retorne e traga de novo aflição ao povo brasileiro.
Reservas cambiais altas por si só não previnem crises. 250 bilhões de dólares numa crise especulativa aguda não duram 3 meses. É muito bom termos reservas cambiais mas também, uma política de juros e de câmbio responsável. Gastos públicos responsáveis, aumentam a capacidade de investimento público, ajudam a reduzir a dívida interna, tão importantes para alavancar o crescimento econômico.
Esse é o melhor caminho para que os contratos continuem a ser honrados e o país mantenha a liberdade de sua política econômica orientada para o desenvolvimento sustentável.
A importância do controle da inflação não precisa ser reiterada. Participei da elaboração do Plano Real que apesar da resistência dos ocupantes do governo atual foi onde o povo brasileiro teve seu maior ganho de renda da história.
A manutenção do combate à inflação, acompanhada do crescimento sustentado, da geração de empregos e da distribuição de renda, de uma política de combate à corrupção e à incompetência administrativa manterá o Brasil cada vez mais solidário e fraterno, um Brasil cada vez melhor, realmente de todos e não de alguns.
A manutenção do crescimento com responsabilidade fiscal e sem desperdício de gastos públicos é o verdadeiro remédio para impedir que se perpetue um círculo vicioso entre metas de inflação baixas, juro alto, oscilação cambial brusca e aumento da dívida pública.
O atual governo gerou aumento ainda maior da carga tributária no país penalizando a produção, gerou bolhas de crescimento sem sustentação, com oscilações bruscas de ano para ano. No cômputo geral, houve crescimento sim, mas instável e ainda não sustentado. Com a sobrevalorização artificial de nossa moeda causada pelo ingresso brutal de capitais especulativos, graças à manutenção dos juros em patamares ainda elevados, o governo causou um baque em nossas exportações que podem a curto prazo se agravarem, caso tenhamos o continuísmo.
Exemplo maior foi o fracasso na construção e aprovação de uma reforma tributária que banisse o caráter regressivo e cumulativo dos impostos, fardo insuportável para o setor produtivo e para a exportação brasileira. Não fosse a oposição, a famigerada CPMF ainda estaria aí penalizando os mais pobres. Ainda persiste a intenção num governo de continuidade, de se recriar a CPMF com outro nome.
A questão de fundo é que, para nós, o equilíbrio fiscal não é um fim, mas um meio. Queremos equilíbrio fiscal para crescer e não apenas para prestar contas aos nossos credores.
Embora o governo atual preservasse o superávit primário, a má qualidade de administração manteve o crescimento da dívida interna. Este crescimento só pode ser brecado com uma política adequada de administração de juros e gastos públicos.
Mas é preciso insistir: só um crescimento sustentado e estável pode levar o país a contar com um equilíbrio fiscal consistente e duradouro. A estabilidade, o controle das contas públicas e da inflação sempre foram e devem continuar sendo as metas a serem perseguidas.
O desenvolvimento de nosso imenso mercado através da inclusão progressiva dos assistidos pelo Bolsa-Família no mercado formal revitalizará e impulsionará o conjunto da economia, ampliando de forma decisiva o espaço da pequena e da microempresa, oferecendo bases ainda mais sólidas para ampliar a oferta de emprego. Nossa meta é que num futuro não muito distante o Brasil não precise mais de bolsas assistenciais pois todos terão seus empregos e ocupações para não mais necessitarem de auxílio oficial. Até lá, reitero, o Bolsa Família continuará mas será substituído aos poucos por trabalho, emprego, saúde e educação para todos.
Em paralelo, o caminho do crescimento econômico com estabilidade e responsabilidade social e ambiental consolidará os avanços sociais. Meu governo se pautará pelo respeito às Leis, à Constituição e ao equilíbrio entre os poderes. Tentativas de cooptação de integrantes do Poder Legislativo e Judiciário pelo Executivo serão rigorosamente punidas. Vamos reordenar as contas públicas e mantê-las sob controle. Mas, acima de tudo, vamos fazer um Compromisso pela Produção, pelo emprego e por justiça social.
O que nos move é a certeza de que o Brasil é bem maior que todas as crises. O país não suporta mais conviver com a idéia de uma terceira década perdida. O Brasil precisa navegar no mar aberto do desenvolvimento econômico e social. É com essa convicção que chamo todos os que querem o bem do Brasil a se unirem em torno de um programa de continuidade sem continuísmo, corajoso e responsável."
José Serra poderá escrever assim e assinarei embaixo
São Paulo, 20 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Lula amarela e foge do cara-a-cara com FHC
Do blog de Augusto Nunes:
SEÇÃO » Direto ao Ponto
Lula recusa o convite para o debate que FHC aceitou
17 de fevereiro de 2010
O presidente Lula foi formalmente convidado, no dia 11, para um debate com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A resposta acaba de ser transmitida ao repórter Otávio Cabral, da sucursal de VEJA em Brasília, pelo ministro Franklin Martins, chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. É a seguinte:
“O presidente Lula, quando deixar a Presidência e se tornar um ex-presidente, aceitará debater com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso”.
Se Lula estivesse apenas presidindo o processo sucessório, como costumam fazer em países civilizados chefes de governo em fim de mandato, o convite nem teria existido. Se tivesse apenas optado por uma candidatura, sem envolver-se ostensivamente na disputa, a recusa faria sentido. Os fatos informam que o presidente se enfiou até o pescoço na campanha que antecipou ilegalmente.
Decidiu que a candidata seria Dilma Rousseff, nomeou-se Primeiro Cabo Eleitoral, não desce do palanque há seis meses, ataca o antecessor em todos os comícios e repete diariamente que os brasileiros terão de escolher entre o governo FHC e o atual. Garante que recebeu uma “herança maldita”. FHC garante que a afirmação é falsa. Um debate entre ambos seria o caminho mais curto para chegar-se à verdade. Fernando Henrique topou. Lula só quer debater em 2011.
A opção pelo monólogo, recomendada por todos os simpatizantes do governo que se manifestaram nesta coluna, reforça a suspeita de que foi descoberta a kriptonita do SuperLula. Chama-se FHC.
Meu comentário:
Lula quer uma eleição plebiscitária, comparar seu governo com o de FHC. Bateu o quanto pôde em FHC até que o ex-presidente resolveu responder. Dái, Lula disse que FHC foi deselegante.
Como seria com vocês, meus 3 leitores?
Um babaca bate, bate, fala mentira sobre você, denigre sua imagem até que você que não tem culpa no cartório, resolve responder. Aí, o babaca diz que você não pode responder pois ele é o dono da verdade.Então você topa fazer um cara-a-cara para discutir civilizadamente as diferenças e o sujeito simplesmente foge da raia.
Aí, pergunto: Quem não presta neste caso?
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Vamos lá!
O Coturno Noturno acaba de postar uma Petition Online, por um debate definitivo entre Lula e FHC. Assinem. Espalhem. Divulguem. Vamos acabar logo com esta mentira. Se querem briga, que encarem o inimigo de frente. Que sejam homens e não vermes.
.....................................................
Quem tiver relacionamento com outros blogs, envie diretamente o endereço ou postem nas áreas de comentários. Vamos testar a nossa força? Será que, desta vez, teremos o apoio da blogosfera do bem? Só falta dizerem: ah, mas o Lula não vem! Ótimo, a idéia é exatamente esta. Aconteça o que acontecer, essa eles vão perder! Chama pra briga e foge da raia?
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Hora de reagir!
Hoje FHC publica um artigo muito bom, que dá armas para lutar contra a guerra de mentiras dos petralhas (leia aqui: "Sem medo do passado, por Fernando Henrique Cardoso").
Certo, FHC nunca foi "simpático", aliás, tucanos não são famosos por sua simpatia...
Mas não estamos falando de concurso de Miss. A questão é eleição presidencial.
O chefe dos petralhas é hoje um fruto de marketing descarado, transformando uma pessoa intragável em "pop star".
Chega dessa conversa mole.
A discussão é: o que queremos para o nosso futuro?
Autoritarismo ou democracia?
Censura ou liberdade?
Voltar para 1950 ou entrarmos de uma vez por todas no século 21?
Agora, se o alto tucanato acertar o tom, escrever para ser entendido pelo leitor médio, e se melhorar um pouquinho a atitude, todos vamos ganhar!
Em tempo: isso tudo foi dito na reunião de quinta-feira, 4 de fevereiro, então não há que dizer que não se sabia!
Certo, FHC nunca foi "simpático", aliás, tucanos não são famosos por sua simpatia...
Mas não estamos falando de concurso de Miss. A questão é eleição presidencial.
O chefe dos petralhas é hoje um fruto de marketing descarado, transformando uma pessoa intragável em "pop star".
Chega dessa conversa mole.
A discussão é: o que queremos para o nosso futuro?
Autoritarismo ou democracia?
Censura ou liberdade?
Voltar para 1950 ou entrarmos de uma vez por todas no século 21?
Agora, se o alto tucanato acertar o tom, escrever para ser entendido pelo leitor médio, e se melhorar um pouquinho a atitude, todos vamos ganhar!
Em tempo: isso tudo foi dito na reunião de quinta-feira, 4 de fevereiro, então não há que dizer que não se sabia!
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Rebeldia na corte
O imperador Lula, embalado na enorme aceitação popular, no reconhecimento internacional e na sua onisciência, quer impor a condução da campanha eleitoral de 2010 e a sua candidata.
Ele quer, porque quer, que a eleição de outubro de 2010 seja plebiscitária. Fazendo o povo comparar a gestão do seu antecessor FHC com a sua. Para isso, Dilma seria a cara dos seus mandatos e garantia de continuidade. E Serra seria a "cara" de FHC.
O problema, como em todas as estratégias, é "combinar com os russos", principalmente com os inimigos.
Apesar da imensa capacidade de Lula de sentir e perceber o povo (o que leva aos índices de aceitação popular) nesse caso estaria colocando as idiossincrasias pessoais acima da realidade, trazendo junto Dilma que - assim como grande parte dos petistas - tem as mesmas. Um ódio profundo a FHC.
O que poderia ser explicado pelo fato de FHC ter "caroneado" Lula em 1994. Lula perdeu a eleição para Collor em 1990 e depois da derrubada do então presidente, comandada por uma então coligação PT-PSDB, mais PFL e outros, seria a vez de Lula. Praticamente sem adversário.
Mas ai foi "atropleado" por FHC, que se aliou a um dos mais tradicionais adversários do PT: Antonio Carlos Magalhães. Foi visto como uma grande traição, cujo ressentimento prevalece ainda hoje, dentro das hostes mais antigas do PT.
Pode ser uma explicação simplista, porém a psicologia explica: ser traido(a) casando com o inimigo é uma mágoa que não se apaga.
Agora, querer que os outros compartilhem da mesma mágoa, tomando o seu partido, pode ser um grande erro.
Quando um casal se separa, de forma não amigável, um dos dilemas é "quem fica com os amigos comuns?".
Lula quer que o povo fique com ele, unindo-se ao ressentimento de uma "traição" e separação traumática de 16 anos atrás.
Será que isso é importante para o povo?
É dentro de uma visão de que isso não prevalecerá nas eleições de 2010 que Ciro Gomes, se rebela e se mantém candidato. Ele acha, sabe, tem certeza de que é um candidato melhor que Dilma, para enfrentar Serra.
Para Lula e a velha guarda do PT, a eleição deverá ser plebiscitária. Serra procura fugir dessa perspectiva e Ciro não acredita. (em tempo, existe uma jovem guarda do PT?)
O risco para o PT é a eleição de Serra, no primeiro turno. Para isso joga com Ciro, para evitá-lo e lever a eleição plebiscitária para o segundo. Ciro não aceita o jogo para ser o "tercius". Quer ser o primeiro. Disputar com Serra o segundo turno.
O Imperador terá dificuldades em convencer o rebelde.
Por Jorge Hori
Ele quer, porque quer, que a eleição de outubro de 2010 seja plebiscitária. Fazendo o povo comparar a gestão do seu antecessor FHC com a sua. Para isso, Dilma seria a cara dos seus mandatos e garantia de continuidade. E Serra seria a "cara" de FHC.
O problema, como em todas as estratégias, é "combinar com os russos", principalmente com os inimigos.
Apesar da imensa capacidade de Lula de sentir e perceber o povo (o que leva aos índices de aceitação popular) nesse caso estaria colocando as idiossincrasias pessoais acima da realidade, trazendo junto Dilma que - assim como grande parte dos petistas - tem as mesmas. Um ódio profundo a FHC.
O que poderia ser explicado pelo fato de FHC ter "caroneado" Lula em 1994. Lula perdeu a eleição para Collor em 1990 e depois da derrubada do então presidente, comandada por uma então coligação PT-PSDB, mais PFL e outros, seria a vez de Lula. Praticamente sem adversário.
Mas ai foi "atropleado" por FHC, que se aliou a um dos mais tradicionais adversários do PT: Antonio Carlos Magalhães. Foi visto como uma grande traição, cujo ressentimento prevalece ainda hoje, dentro das hostes mais antigas do PT.
Pode ser uma explicação simplista, porém a psicologia explica: ser traido(a) casando com o inimigo é uma mágoa que não se apaga.
Agora, querer que os outros compartilhem da mesma mágoa, tomando o seu partido, pode ser um grande erro.
Quando um casal se separa, de forma não amigável, um dos dilemas é "quem fica com os amigos comuns?".
Lula quer que o povo fique com ele, unindo-se ao ressentimento de uma "traição" e separação traumática de 16 anos atrás.
Será que isso é importante para o povo?
É dentro de uma visão de que isso não prevalecerá nas eleições de 2010 que Ciro Gomes, se rebela e se mantém candidato. Ele acha, sabe, tem certeza de que é um candidato melhor que Dilma, para enfrentar Serra.
Para Lula e a velha guarda do PT, a eleição deverá ser plebiscitária. Serra procura fugir dessa perspectiva e Ciro não acredita. (em tempo, existe uma jovem guarda do PT?)
O risco para o PT é a eleição de Serra, no primeiro turno. Para isso joga com Ciro, para evitá-lo e lever a eleição plebiscitária para o segundo. Ciro não aceita o jogo para ser o "tercius". Quer ser o primeiro. Disputar com Serra o segundo turno.
O Imperador terá dificuldades em convencer o rebelde.
Por Jorge Hori
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
A PeTralhada
Legendagem sobre cena do filme Full Metal Jacket mostrando porque tem tanto petista defendendo Lula na Internet, sempre com os mesmos argumentos decorados na cartilha...
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